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republicano

Ted Cruz é o primeiro a anunciar disputa pela presidência dos EUA

Senador da extrema direita propôs acabar com a Receita Federal e revogar o Obamacare

    • WASHINGTON
    • Estadão Conteúdo
    • 23/03/2015 15:26
    Ted Cruz ao lado da mulher e das filhas durante anúncio da pré-candidatura | Chris Keane/Reuters
    Ted Cruz ao lado da mulher e das filhas durante anúncio da pré-candidatura| Foto: Chris Keane/Reuters

    Com um discurso carregado de referência a Deus e defesa de posições ultra conservadoras, o senador Ted Cruz se tornou o primeiro republicano a anunciar que pretende disputar a presidência dos EUA. Falando a uma plateia de estudantes cristãos na manhã desta segunda-feira (23), ele propôs acabar com a Receita Federal, revogar o Obamacare e se colocar contra o direito ao aborto, ao casamento gay e a qualquer restrição ao porte de armas.

    Cruz também propôs uma política externa agressiva, com apoio incondicional a Israel e uma posição intransigente em relação ao Irã e seu programa nuclear. Integrante do Tea Party, que representa a extrema direita do Partido Republicano, ele conclamou seus seguidores a iniciarem um movimento de base para sustentar seu nome.

    Seu principal desafio é vencer as primárias da legenda, em uma disputa com pelo menos meia dezena de outros pré-candidatos. O preferido da ala tradicional do partido é o ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho e irmão e ex-presidentes americanos. Mas o herdeiro de George H.W. Bush não é considerado conservador o bastante pela base republicana que vota nas primárias e costuma ter posições mais à direita que o eleitor médio.

    Em seu discurso, Cruz mesclou política e cristianismo, defendeu o “excepcionalismo americano” e disse que os EUA continuam a ser o país “indispensável” no mundo. “Deus abençoou a América desde o começo desta nação”, disse aos estudantes da Liberty University, que se apresenta como a maior universidade cristã do mundo.

    O segundo mais longo aplauso veio no momento em que criticou o presidente Barack Obama por seu distanciamento em relação ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que no início do mês fez um discurso no Congresso americano contra a negociação em torno do programa nuclear do Irã promovida por Washington. Em vez de “boicotar” Netanyahu, os EUA devem se colocar ao lado de Israel de maneira irrestrita, afirmou Cruz.

    A religião permeou todo o pronunciamento, em referências à sua história pessoal e na sua visão do país que pretende governar. Segundo Cruz, a “promessa da América” vem da “visão revolucionária” de que os direitos no país não provêm dos homens, mas de “Deus todo-poderoso”.

    Filho de um cubano que emigrou para os EUA dois anos antes da Revolução de 1959, Cruz contou que o pai abandonou a família quando ele tinha 3 anos de idade, mas retornou depois de “encontrar Jesus” em uma igreja batista de Houston, Texas. Como a maioria dos descendentes de cubanos, Cruz é contrário à política de aproximação com a ilha anunciada por Obama em dezembro.

    Com 44 anos e em seu primeiro mandato no Senado, Cruz foi um dos líderes do movimento que levou ao fechamento do governo por 16 dias em 2013. Na época, ele e seus aliados condicionaram a votação do Orçamento à retirada de recursos do Obamacare, a reforma do sistema de saúde que é uma das principais bandeiras do atual presidente. O Orçamento acabou aprovado e o grupo de Cruz foi responsabilizado pelo desgaste que os republicanos sofreram perante a opinião pública.

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