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Turquia leva derrubada de seu caça pela Síria a Otan e Conselho de Segurança

O ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, expôs neste domingo (24) a posição oficial de Ancara, segundo a qual o caça foi derrubado enquanto voava em espaço aéreo internacional

A Turquia elevou neste domingo o clima de tensão em suas relações com a Síria ao recorrer à Otan e ao Conselho de Segurança da ONU para debater a derrubada de um caça de sua Força Aérea pelo país árabe.

O ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, expôs neste domingo (24) a posição oficial de Ancara, segundo a qual o caça, que decolou às 8h30 de sexta-feira da base aérea de Malatya (Turquia) e desapareceu dos radares uma hora e meia mais tarde, foi derrubado pela Síria enquanto voava em espaço aéreo internacional. Em consequência, Ancara notificará o incidente tanto à Otan como ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, acrescentou Davutoglu.

Pouco depois foi confirmado que a Otan realizará na terça-feira uma reunião sobre o incidente, de acordo com o artigo 4 da Aliança Atlântica, que obriga os membros a consultar quando "na opinião de um deles, esteja ameaçada sua integridade territorial, a independência política ou a segurança". A Turquia não invocou, no entanto, o artigo 5, que ativado quando se constata uma agressão militar contra um dos membros da Otan.

A firmeza com a qual Davutoglu defendeu o direito da Turquia a tomar medidas pelo abatimento do caça contrasta com o nervosismo da tarde de sexta-feira, quando o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, evitou culpar Damasco pela derrubada. No sábado (23), o presidente turco, Abdullah Gül, chegou a admitir que o caça "poderia ter vulnerado" o espaço aéreo sírio.

Davutoglu confirmou este último extremo, mas esclareceu que isso teria acontecido 15 minutos antes de a aeronave ter sido derrubada. Ele insistiu também que o avião turco voava sem armamentos, que só tinha como missão testar os radares de defesa turcos e que a Síria não emitiu advertência alguma antes de abatê-lo.

Segue incerto o destino dos dois tripulantes, após uma busca de mais de 48 horas feita pelos navios de resgate turcos em coordenação com as autoridades sírias, como confirmou a rede de televisão pública "TRT".

A mesma emissora divulgou neste domingo (24) que já tinham sido localizados os destroços do avião a uma profundidade de 1.300 metros no Mediterrâneo, perto da costa síria, mas esta alegação não foi corroborada oficialmente.

A emissora turca "NTV", por sua vez, sustenta que são conhecidas as coordenadas do lugar onde o avião caiu na água, mas que não foram detectados ainda os restos do caça.

Erdogan anunciará na terça-feira, no Parlamento turco, os passos que seu país tomará frente à Síria, que serão "de sangue frio, mas firmes", como antecipou Davutoglu hoje.

Na imprensa turca, persistia a incerteza sobre a intenção de Damasco em derrubar o avião, que pode ser facilmente interpretada como um motivo de conflito bélico, em um momento no qual várias vozes pedem uma intervenção militar estrangeira na Síria para acabar com a repressão do regime de Bashar al Assad.

A Turquia descartou até agora intervir diretamente no conflito sírio, embora tenha condenado com duras palavras a repressão e reservado sempre a possibilidade de "tomar medidas" se sua própria segurança ou estabilidade fosse ameaçada.

Acrescenta para o clima de tensão a presença de mais de 30 mil refugiados sírios em vários acampamentos na Turquia, onde também estão os dirigentes do Exército Sírio Livre, a guerrilha composta sobretudo por soldados desertores que luta contra o regime de Damasco.

"Bashar al Assad sempre ameaçou que o conflito sírio poderia incendiar toda a região se houvesse uma intervenção externa; ao derrubar o avião turco, ele lança essa carta", opinou Hefiz Abdulrahman, membro do Conselho Nacional Turco, órgão que tenta agrupar a oposição a Assad.

"Atualmente há muita gente indecisa na Síria, mas elas apoiariam o regime no momento em que houver um inimigo externo crível, por isso a tensão é conveniente a Assad", acredita Hefiz.

O ativista disse que, em todo caso, a derrubada foi uma provocação consciente: "A Síria nunca dispara em caças israelenses que sobrevoam frequentemente seu território porque não deseja uma guerra com Israel", lembrou.

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