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Manifestação em apoio à Ucrânia em frente à embaixada do país em Copenhague, na Dinamarca
Manifestação em apoio à Ucrânia em frente à embaixada do país em Copenhague, na Dinamarca| Foto: EFE/EPA/EMIL HELMS

Após a Rússia dar início à invasão da Ucrânia nesta quinta-feira (24), numa ação militar prevista e denunciada desde o ano passado, resta uma dúvida: se Moscou decidir tomar a ex-república soviética (o que parece ser o caso, visto que os ataques não se limitam à região de Donbass), os ucranianos serão capazes de resistir a uma das maiores forças militares do mundo por quanto tempo?

A diferença de poderio é gigantesca: segundo números do balanço militar do Global Firepower e do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), as forças armadas russas têm 900 mil soldados na ativa, contra 200 mil da Ucrânia (o presidente Volodymyr Zelensky decretou o recrutamento de reservistas para amenizar essa desvantagem).

Em infraestrutura, também é uma disputa desigual: a Rússia tem, por exemplo, 1.511 aeronaves de ataque, enquanto o vizinho tem apenas 98, e 12.240 tanques contra 2.596 de Kiev.

Para o economista e empresário Igor Lucena, doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, membro da Chatham House/The Royal Institute of International Affairs e da Associação Portuguesa de Ciência Política, “a Ucrânia sozinha não duraria até o final da semana”.

“Acabamos ver a tomada de Chernobyl [a antiga usina foi ocupada pelo exército russo], e mais tropas estão se dirigindo [ao país] não só por Donetsk e Lugansk, mas também por Belarus. O que vai determinar se a Ucrânia vai sobreviver como uma república independente nos próximos dias é a capacidade de apoio das potências ocidentais, se as próximas sanções econômicas serão suficientes para trazer Moscou de volta à mesa de negociação e parar os ataques militares”, argumentou.

Lucena citou a possibilidade da Rússia ser desligada do sistema internacional de pagamentos Swift (que conecta transações entre bancos de todo o mundo), medida que paralisaria toda a economia russa e é defendida pela Ucrânia e pelo Reino Unido. O pesquisador acredita que não haverá uma participação militar direta do Ocidente de apoio a Kiev.

“Não acho que haverá uma incursão militar da Otan na região, mas serão alocados equipamentos militares, dinheiro para a Ucrânia, e talvez [haverá] algum tipo de treinamento”, destacou.

“Mas a Ucrânia está numa situação muito complicada, se ela ceder e assinar os acordos que Moscou quer, ou seja, negar a adesão à Otan e à União Europeia, basicamente ela entrega sua política interna e externa para a Rússia. Se ela resistir, até o fim de semana o governo pode cair, pelo avanço militar até Kiev”, ressaltou Lucena.

Nesta quinta-feira, três altos funcionários do governo dos Estados Unidos disseram à revista Newsweek, sob condição de anonimato, que estimam que Kiev será tomada pelas forças russas até a próxima segunda-feira, e o governo da Ucrânia cairá até uma semana depois.

Um ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos estimou à revista um prazo parecido. “Depois que a guerra aérea e a de artilharia terminarem e a guerra terrestre realmente começar, acho que Kiev cairá em poucos dias”, comentou. “Os militares podem durar um pouco mais, mas não muito.”

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