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A crise política e seus impactos sobre a economia

As melhoras marginais observadas recentemente na economia estão muito longe de estimular novos investimentos, prejudicando o emprego

  • Marcelo Curado
 | Marcos Labanca/Arquivo Gazeta do Povo
Marcos Labanca/Arquivo Gazeta do Povo
 
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O Brasil vive desde 2014 uma das mais severas crises econômicas de sua história. A crise é o resultado de um conjunto de fatores entre os quais podem ser destacados: a pioria das condições internacionais; o esgotamento do modelo de crescimento puxado pela demanda através da ampliação do endividamento das famílias e das empresas; os graves equívocos na área da política econômica entre 2011 e 2014; e a incapacidade do governo Dilma, em 2015, e do governo Temer em implantar a necessária agenda de ajustes econômicos. Estes fatores, no entanto, estão longe de explicar nossa situação. Qualquer análise mais completa da situação econômica deve levar em conta a grave crise política.

Mas afinal de contas, como a crise política repercute sobre a economia? A crise política amplia a incerteza e contribui para deteriorar o estado de confiança dos agentes. Estas incertezas se manifestam de diversas formas. Mercados mais líquidos e sujeitos a movimentos especulativos de curto prazo, como a bolsa de valores e o mercado de câmbio, são os primeiros a responder nos momentos de exacerbação dos problemas políticos.

O impeachment de Dilma e o início do governo Temer não foram capazes de estancar a crise política

O mais grave, no entanto, é o efeito de ampliação das incertezas sobre a decisão de investimento produtivo (a aquisição de máquinas, equipamentos e instalações produtivas). A decisão de investir é uma das mais complexas em uma economia de mercado. Ao realizar um investimento, o empresário reduz sua liquidez e incorre em uma série de riscos. Será que o mercado irá absorver a produção adicional gerada pelos novos investimentos? Este é apenas um exemplo das questões que envolvem a arriscada decisão de investir. É certamente mais seguro (e muitas vezes mais rentável) aplicar em algum ativo que renda juros.

As melhoras marginais observadas recentemente na economia estão muito longe de estimular novos investimentos, sem os quais paralisam-se as contratações no mercado de trabalho e amplia-se o desemprego.

Leia também:A complicada superação da recessão (artigo de Gilmar Mendes Lourenço, publicado em 21 de junho de 2017)

Leia também:O bem que deriva do mal (artigo de José Pio Martins, publicado em 8 de junho de 2017)

O fim da grave crise política é uma condição necessária (ainda que insuficiente) para a retomada dos investimentos e do emprego. O impeachment de Dilma e o início do governo Temer não foram capazes de estancar a crise política; pelo contrário, a crise foi ampliada. As delações da JBS deixaram claro que o problema de corrupção é estrutural, afetando praticamente todos os principais partidos e lideranças políticas do país. PT, PSDB, PMDB, PP, Lula, Dilma, Temer, Aécio, entre outros, contribuíram para o atual cenário ao ampliar a rede de corrupção, cerne da atual crise. Culpar a Operação Lava Jato pela crise é algo risível, raciocínio típico dos desesperados.

O sentimento de insatisfação é crescente, especialmente entre aqueles que são mais afetados pela crise. É comum nestes momentos – e a história é prova disso – o surgimento de soluções extremas, algumas não democráticas. A saída da crise, no entanto, passa pela ampliação da democracia e não por sua redução. A saída de Temer da Presidência e a antecipação das eleições, como recentemente sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, podem ajudar para superar este momento mais crítico. Somente um novo governo eleito poderá ter o cacife para conduzir um novo cenário de estabilidade política, elemento necessário para a melhora na economia e a retomada do emprego.

Marcelo Curado é professor do Departamento de Economia da UFPR.

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