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Imagem da urna eletrônica
Imagem da urna eletrônica| Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Estamos em ano eleitoral no Brasil, ou, como popularmente se costuma dizer, um “ano político”. As campanhas, praticamente constantes, começam a ficar mais delineadas. Quem busca a reeleição procura de alguma maneira apresentar suas realizações e ocultar descasos e ausências, além de em alguns casos buscar imputar responsabilidades pela falta de resultados a seus adversários.

Já os candidatos que se apresentam como alternativa, além de divulgar suas propostas, buscam expor as falhas e, por conseguinte, as graves consequências da irresponsabilidade e despreparo, entre outros problemas, dos atuais representantes eleitos. Assim, anos eleitorais são marcados por um acirramento das disputas pelo poder no país, que são constantes, ainda que alguns participantes desse processo não tenham sequer consciência dele.

Em quem votar quando, pelo menos aparentemente, a maioria dos candidatos, antigos e novos, mostra-se preocupada apenas com seus interesses pessoais e dos grupos que representa? A democracia é um sistema de transmissão de poder que se concretiza pela eleição de representantes. No entanto, é comum votar e logo perceber que alguns representantes eleitos atuam na contramão das necessidades e interesses da maioria daqueles que os elegeram. Além dessa evidente contradição, ainda é preciso conviver com mentiras constantes, as chamadas fake news, denúncias, processos, entre outros temas que abastecem volumosamente nosso noticiário cotidiano.

A democracia é um sistema de transmissão de poder que se concretiza pela eleição de representantes. No entanto, é comum que representantes eleitos atuem na contramão das necessidades e interesses da maioria daqueles que os elegeram

A cada eleição, o povo brasileiro se mostra cansado, desiludido, inconformado. Alguns candidatos se aproveitam desses momentos para se apresentarem como “salvadores da pátria”, mas, depois de quatro anos, o que se constata são novas desilusões. A atuação política de alguns se torna cada vez mais um reino de aparências no qual a mentira se confunde com a verdade, pois o interesse real não revelado é a manutenção ou o retorno ao poder.

Para tanto, operam financiadores, propagadores, agentes formadores de opinião pública, entre outros, que talvez, em alguns casos, nem acreditem no que anunciam, mas que, ainda assim, preferem manter-se obedientes e fiéis aos interesses daqueles que os financiam. Afinal, mudanças reais poderão até piorar a situação, como talvez experiências passadas possam ter ensinado.

Nesse cenário, instaura-se o comando da hipocrisia, no qual a corrupção e suas consequências são banalizadas. Afinal, como acreditam alguns, sempre vai ser possível encontrar uma maneira de imputar aos outros a responsabilidade pelas maldades cometidas. O “real” acaba sendo definido pela maneira como é divulgado, ainda que essa divulgação talvez contenha pouco ou quase nada da verdadeira realidade vivida pelas pessoas.

Os preços disparam, a renda retrocede, o povo sofre, mas para alguns só interessa o poder, independentemente dos meios que considerem necessários para garanti-lo. Nesse contexto de contradições, nem Deus é poupado, e alguns daqueles que se apresentam como seus representantes legítimos parecem não se importar em praticar ações completamente opostas aos valores que pregam. Se outrora o ensinamento de não ser possível servir a Deus e ao dinheiro provocava mudanças e conversões de vida, hoje não é mais sequer recordado. A inversão é tamanha que alguns anunciam um Deus que é moldado à imagem e semelhança do ser humano e de acordo com seus interesses mais mesquinhos.

Indignar-se é preciso! Humanizar é necessário! Basta de hipocrisia!

Luís Fernando Lopes, mestre e doutor em Educação, é professor da área de Humanidades e do programa de pós-graduação em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional Uninter.

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