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Nunca foi tão fácil sentir-se virtuoso sem fazer muito esforço.
Inclua pronomes na assinatura de um e-mail, compartilhe o slogan do dia ou participe da denúncia online de alguém que usou a palavra errada. Em muitos círculos, esses gestos são esperados. Uma pessoa pode participar com pouco a perder e, ainda assim, sair com a sensação de ter feito algo moralmente válido.
O problema começa quando o apoio a causas da moda é tratado como prova de bom caráter.
Tradicionalmente, as virtudes clássicas têm se relacionado principalmente com a conduta. A coragem exige ação quando há algo a perder. A temperança significa controlar os próprios apetites. A prudência exige bom senso, enquanto a justiça requer imparcialidade, inclusive para com pessoas de quem não gostamos.
Uma pessoa adquire essas qualidades praticando-as e trabalhando em si mesma. Ela precisa fazer as escolhas certas repetidamente, muitas vezes quando ninguém mais sabe ou se importa.
Por volta dos 14 anos, George Washington copiou em seu caderno escolar 110 máximas conhecidas como as “Regras de Civilidade e Comportamento Decente em Sociedade e Conversa”. O exercício refletia a compreensão de que o caráter precisava ser cultivado. Décadas depois, em uma carta de 28 de agosto de 1788 para Alexander Hamilton, Washington descreveu “o caráter de um homem honesto” como o mais invejável de todos os títulos.
Hoje em dia, a lealdade pública muitas vezes substitui esse trabalho árduo.
Use o vocabulário aceito, apoie a causa do momento e condene quem quer que tenha ultrapassado os limites da opinião respeitável. Só isso já pode ser suficiente para conquistar uma reputação de bondade
Quando slogans e denúncias públicas atraem mais elogios, os jovens podem concluir que a moralidade tem menos a ver com o seu comportamento do que com demonstrar que estão do lado certo. Expressar uma opinião é muito mais fácil do que controlar o próprio comportamento.
Um adolescente que admite uma mentira que poderia ter permanecido oculta dá um passo concreto em direção à honestidade. Outro que se recusa a participar de uma humilhação pública demonstra força de caráter. Cumprir uma promessa, mesmo quando ela se torna inconveniente, ensina responsabilidade.
Mas as redes sociais agravam o problema ao recompensar o que pode ser visto e contabilizado. Uma acusação raivosa pode gerar centenas de curtidas em minutos, enquanto anos de conduta decente podem passar despercebidos. Com muita frequência, os jovens são ensinados a julgar as ações pelas reações que recebem, em vez de avaliar se estão certas ou erradas.
Esse hábito pode acompanhá-los até a vida adulta. Alguém que usa suas convicções políticas como prova de bondade tem poucos motivos para questionar se é arrogante, desonesto ou egoísta. Pode passar o dia condenando estranhos e, ainda assim, ir dormir convencido de sua própria superioridade moral.
Falar publicamente em defesa de uma causa pode ser honroso quando isso acarreta um risco real. Uma pessoa que defende uma verdade impopular, mesmo correndo o risco de perder o emprego ou a reputação, demonstra algo concreto. Mas repetir uma opinião popular diante de uma plateia que a aprova prova muito menos.
E essa tentação não se restringe à esquerda. Os conservadores também podem cair na mesma armadilha. Opor-se ao aborto, defender a liberdade religiosa ou apoiar os valores tradicionais da família podem refletir convicções profundas. Mas ter a posição correta não torna alguém necessariamente uma boa pessoa.
Um homem pode falar com paixão sobre a importância da família e, ainda assim, ser um marido ou pai negligente.
O que importa não é apenas no que acreditamos, mas como agimos. A vida comum oferece testes de virtude muito melhores
Como uma pessoa trata sua família? Ela cumpre sua palavra quando seria conveniente quebrá-la? Ela admite quando está errada? Como ela fala com um parente que testa sua paciência, um funcionário que não contribui para sua carreira ou um garçom que comete um erro?
Nenhum perfil de mídia social pode nos dizer como uma pessoa se comporta nesses momentos. Pais e escolas devem ensinar que a virtude não é algo que uma pessoa anuncia sobre si mesma. Ela se desenvolve a partir de escolhas feitas dia após dia.
Isso significa dar às crianças responsabilidades reais e responsabilizá-las por elas. Espera-se que elas terminem o que começam, admitam seus erros sem dar desculpas e, ocasionalmente, façam algo de bom sem contar para ninguém. Elas já sabem como demonstrar que compartilham opiniões da moda. Os adultos precisam ensiná-las a controlar sua própria conduta e a tratar os outros com justiça, inclusive aqueles com quem discordam veementemente.
Isso importa não apenas para a formação do caráter individual, mas também para a saúde do país. Uma sociedade depende de cidadãos que assumem responsabilidades, exercem autocontrole, honram seus compromissos e lidam uns com os outros com honestidade. Quando a ostentação de virtude substitui esses hábitos, a vida pública se torna mais raivosa, mais áspera e menos capaz de sustentar divergências genuínas.
Não precisamos de mais uma geração habilidosa em propagar suas virtudes. Precisamos de gente capaz de realmente praticá-las.
Michael Freund atuou como diretor adjunto de comunicações durante o governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. É colunista veterano do Jerusalem Post, e pesquisador visitante da Heritage Foundation.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: When Virtue Signaling Replaces Character



