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Imagem ilustrativa.| Foto: Pixabay

O conservadorismo é fator essencial para o desenvolvimento maduro de uma sociedade. Em última instância, define que as mudanças não serão realizadas de forma súbita ou irrefletida. Significa que toda mudança será realizada de forma gradual, ponderada e debatida, preservando-se o princípio democrático como pilar essencial deste processo. Longe de dogmas ou retóricas radicais, o conservadorismo se posiciona como a voz da razão e da ponderação diante das paixões políticas que cegam a sociedade.

A polarização política levou o Brasil a adotar posições anticonservadoras. O messianismo que tomou conta da sociedade brasileira levou o país a modificar seus rumos de forma abrupta, realizando as mudanças de forma intempestiva, impulsionada por rompantes e também por crenças radicais, flertando com a autocracia e posições antidemocráticas. Nada mais longe do que significa ser conservador.

Ao se apropriar do conservadorismo, uma safra de políticos de uma direita de corte populista associou sua imagem e verniz a um movimento político que passa longe de suas crenças, mas move as massas. A política da prudência, que acompanha os conservadores, balizados pela estabilidade e moderação, passa longe do populismo de botequim vendido pela direita tupiniquim.

O dirigismo estatal, obediência messiânica e a política de compadrio estão a algumas léguas de distância dos instrumentos democráticos, do livre mercado, da pluralidade de opinião e limitação do poder do Estado defendidos pelos conservadores. O humor dos mercados jamais pode ser definido pelos rompantes do líder populista, mas a estabilidade das regras deve nortear a confiabilidade de um país. Um conservador acredita no poder da estabilidade e previsibilidade institucional como forma de atração de investimento e geração de riqueza para a sociedade.

Infelizmente ainda há muita confusão sobre o conservadorismo, erroneamente associado simplesmente a pautas morais. Um conceito simplista e equivocado, pois confunde-se o princípio de que existe uma ordem moral duradoura e o fato de que os conservadores aderem ao costume, à convenção e à continuidade, associando estes fatos, de forma errada, a preceitos obscuros e pautas retrógradas e ultrapassadas, já vencidas pelo conservadorismo, que aceita a mudança de forma gradual e prudente.

Conservadorismo significa o princípio da prudência, estabilidade e previsibilidade aplicados na política e nas relações econômicas. Alinha-se com democracia, limitação do poder dos governos e liberdade econômica para os cidadãos, garantindo poder para a sociedade, democracia e manutenção das instituições. Rejeita as revoluções, mudanças bruscas e irrefletidas. O conservador busca uma sociedade ponderada, uma política prudente e uma economia estável, elementos que contribuem para a maturidade da sociedade e um futuro próspero, longe de um coletivismo involuntário e perto da responsabilidade individual.

Populistas travestidos de conservadores transformaram-se hoje em uma ameaça para a democracia, assim como os falsos liberais de ocasião, seduzidos pelo poder. Comprar estes oportunistas pelo valor de face pode custar muito caro para nossa sociedade.

Márcio Coimbra, cientista político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos, ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal, é coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília e presidente da Fundação Liberdade Econômica. 

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