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A taxa Selic está fechando o ano de 2019 em 4,5%.
A taxa Selic está fechando o ano de 2019 em 4,5%.| Foto: Pixabay

Sob o regime de metas de inflação, a taxa básica de juros (Selic) é o principal instrumento do Banco Central (BC) para manter sob controle a inflação. Ao reduzir os juros básicos, o intuito é diminuir os custos do crédito e estimular o consumo e a produção. O ano de 2019 iniciou com a meta Selic em 6,5%, atualmente está em 4,5%, seu menor patamar histórico. Essa tendência se deve ao fato de que a medida de inflação oficial (IPCA) se comportou bem ao longo do ano, em conjunto com uma queda das expectativas para o próximo ano e com um cenário persistente de alta capacidade ociosa.

Apesar de uma lenta recuperação recente, não seria surpresa se o Copom continuasse baixando a meta Selic nos meses inicias de 2020, já que não se espera, em um horizonte próximo, riscos inflacionários impulsionados por pressões de demanda. Segundo apurado pela pesquisa Focus, as expectativas de inflação para os próximos anos continuam abaixo da meta. Entretanto, com o crescimento mais elevado do produto, projeta-se taxa Selic da ordem de 6% em 2021.

Contudo, este cenário depende do ambiente externo. Em primeiro lugar, o progresso da disputa comercial entre China e EUA acena para uma diminuição das incertezas. Entretanto, dado o novo cenário de taxa Selic baixa e valorização do dólar no mercado global, é de se esperar a taxa de câmbio em níveis superiores a R$ 4, apesar da atuação recente do Banco Central no mercado à vista.

Deve-se ter atenção que a taxa de câmbio é um dos canais de transmissão da política monetária, ou seja, câmbio desvalorizado leva à maior procura interna e aumento de preços de matérias-primas importadas, elevando os preços por inflação de custos. Com a alta capacidade ociosa, o impacto do câmbio desvalorizado sobre os preços é baixo, porém, a curva DI (taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro) já aponta Selic média de 5,3% no último trimestre de 2020, o que sugere aumento de juros antes do previsto anteriormente.

É importante destacar os impactos de uma taxa Selic mais baixa em relação à dívida pública interna; como cerca de 38,3% desta é composta por papéis corrigidos pela Selic, uma taxa mais baixa significa economia no pagamento de juros. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, para o ano de 2020, projeta-se uma economia da ordem de R$ 96 bilhões. A boa noticia é que, ao longo de 2019, não apenas os juros curtos foram e estão caindo – algo que já ocorre desde 2016 –, como também os juros longos.

Por fim, é importante apontar a evidente diferença do governo atual em relação aos anteriores na condução da política econômica, inclusive na defesa de um BC independente. Como ressaltado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, o estímulo à economia deve vir através da credibilidade do Banco Central, a qual foi abalada durante o governo Dilma. A nova agenda é de menor participação do setor público, com o setor privado tomando a frente no crescimento econômico, que se torna possível com os juros mais baixos.

Luiz Carlos Day Gama, professor do Ibmec BH.

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