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A transição energética brasileira é uma das mais robustas do mundo, e a expansão da energia solar fotovoltaica é a grande protagonista dessa engrenagem. Ver telhados cobertos por painéis de norte a sul do país é um forte indicativo de que o consumidor deseja autonomia e sustentabilidade.
No entanto, dados recentes divulgados pelo jornal ‘O Estado de São Paulo’ acendem um alerta vermelho que não podemos ignorar: a explosão de instalações irregulares — os chamados "gatos" de energia solar —, que chegam a alarmantes 69% dos casos fiscalizados em Minas Gerais pela Cemig e 53% nas áreas de atuação da Neoenergia.
Como líderes no desenvolvimento de conectores elétricos e soluções para o setor de energia, enxergamos esse cenário sob duas óticas igualmente preocupantes: a segurança técnica e a sustentabilidade socioeconômica do nosso sistema elétrico.
Diferentemente do furto de energia tradicional, a instalação de um sistema de geração distribuída sem o conhecimento da distribuidora injeta energia de forma descontrolada na rede. A ANEEL e o ONS indicam risco iminente de sobrecarga, instabilidade e, no pior dos cenários, apagões.
O sistema elétrico é uma via de mão dupla que exige sincronia milimétrica. Quando o volume de energia injetada à revelia cresce exponencialmente, colocamos em risco a integridade dos transformadores, das subestações e dos conectores que sustentam as redes de distribuição.
Instalações clandestinas ou feitas sem homologação tendem a pular etapas cruciais de engenharia. O uso de componentes subdimensionados ou de baixa qualidade e a falta de dispositivos de proteção adequados transformam o que deveria ser um investimento sustentável em um passivo perigoso, sujeito a curtos-circuitos e incêndios.
Além do risco físico, há um forte impacto tarifário. O modelo de compensação da energia solar no Brasil conta com subsídios que são custeados por todos os consumidores na conta de luz
Quando uma instalação irregular usufrui desses benefícios sem o devido registro e fiscalização, o restante da população — incluindo as famílias de baixa renda que não têm acesso à tecnologia solar — acaba pagando uma conta que não deveria ser sua. É um desequilíbrio social e financeiro que corrói a credibilidade do setor.
Felizmente, o cerco está se fechando. O uso de tecnologias de ponta pelas distribuidoras, como drones para inspeção de telhados e inteligência de dados, mostra que o mercado ilegal não terá vida longa. Mais do que isso, a postura de denunciar os profissionais coniventes com essas práticas aos seus respectivos conselhos de classe é um passo fundamental para depurar o mercado.
Defendemos que a verdadeira eficiência energética caminhe de mãos dadas com a conformidade técnica. A conexão segura e homologada é o único caminho viável.
Para que o mercado solar continue crescendo de forma saudável, precisamos de um ecossistema forte, composto por projetos rigorosos desenvolvidos por profissionais habilitados, componentes de alta performance que garantam a segurança do sistema e processos transparentes de homologação junto às concessionárias.
A energia solar veio para ficar e é vital para a nossa matriz limpa. Mas, para que o futuro seja brilhante, ele precisa, antes de tudo, ser legalizado, seguro e justo para todos os brasileiros.
Marcelo Mendes é economista e gerente geral na KRJ Indústria e Comércio Ltda.



