
Ouça este conteúdo
Antes mesmo de uma nova composição do Senado ser ditada pelas eleições de 2026, candidatos ao comando da Casa já se articulam por apoios. Davi Alcolumbre (União-AP), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL) saíram na frente dessa briga.
Nesse campo de batalha, Alcolumbre sai com vantagens de ter a máquina, extensa teia de relações parlamentares e conexões com outros Poderes. Reeleito senador em 2022, seu mandato na Presidência do Congresso teve início em fevereiro de 2025 e acabará em 1º de fevereiro do próximo ano, quando o plenário elegerá a Mesa Diretora do período 2027-2029.
A nova legislatura abre caminho regimental para Alcolumbre tentar seguir no posto. Mas o cenário será diferente de 2025, quando obteve 73 dos 81 votos. Se a expansão conservadora se confirmar, ele terá de construir um acordo com a esquerda e o Centrão e oferecer benesses aos novos senadores.
Seu maior ativo recente foi mostrar capacidade de controlar a agenda e enfrentar o Palácio do Planalto. A rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF), por 42 votos a 34, foi a primeira derrota de uma indicação à Corte desde 1894.
A relação, porém, começou a ser recomposta nos últimos dias. Lula e Alcolumbre tiveram três encontros desde a semana passada, dois deles fora da agenda oficial, e chegaram a um entendimento que resultou no destravamento de propostas consideradas prioritárias pelo governo para a eleição, como as PECs do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública. O movimento ocorreu após meses de rompimento.
Alcolumbre deve enfrentar desgaste ainda maior com escândalo do Master
O escândalo do Banco Master, porém, adiciona forte risco à estratégia de Alcolumbre. Investigações da Polícia Federal (PF) alcançaram um dirigente da previdência do Amapá indicado pelo senador, e uma proposta de delação de Daniel Vorcaro já adiantou acusações, posteriormente rejeitadas por ele.
Rogério Marinho surge como alternativa associada à direita. Eleito em 2022, também está garantido na Casa até 2031. Líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, ele deixou de concorrer ao governo potiguar para se dedicar à estratégia nacional do PL.
Marinho já disputou a Presidência do Senado em 2023, sendo derrotado por Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Agora opera com cenário potencialmente mais favorável, com a perspectiva da eleição de senadores aliados do PL e da centro-direita. Uma vitória de Flávio reforçaria negociações em fevereiro.
A eleição na Casa da Federação na abertura dos trabalhos de 2027 passará por decisivos eventos prévios. Em jogo estarão não só cargos da Mesa, mas a agenda legislativa, a relação com o Executivo e tensões institucionais. Só o presidente do Senado pauta o impeachment de ministros do STF.
Tereza Cristina também está na disputa pela presidência do Senado
A senadora Tereza Cristina é outro nome colocado no tabuleiro. Também fora das urnas neste ano, ela foi o primeiro nome a se colocar na disputa pela Presidência do Senado. A prioridade foi exposta publicamente quando foi cotada para ser vice de Flávio, a preferida de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
A ex-ministra da Agricultura apresenta credenciais distintas das de Marinho. Além de também ser associada ao governo Bolsonaro, tem especial trânsito no agronegócio. Além disso, a eventual vitória dela daria a primeira chefia feminina do Senado, agregando valor simbólico à disputa.
Duelo alagoano de Renan e Lira pode seguir na briga para liderar o Senado
Os dois outros nomes dependem das urnas de outubro. Renan Calheiros, senador desde 1995 e presidente da Casa em quatro ocasiões, encerra o mandato em janeiro e tenta ser reeleito. Quer resgatar o protagonismo com experiência, relações com a esquerda e a influência histórica no MDB.
Arthur Lira, por sua vez, precisa trocar a Câmara pelo Senado para entrar na nova disputa com Calheiros, seu maior rival em Alagoas. Ex-presidente da Câmara e um dos principais articuladores do Centrão, poderia levar à Casa vizinha sua rede de caciques partidários, parlamentares e governadores.
Novo Senado poderá ter um papel histórico no reequilíbrio dos Poderes
As articulações para a chefia do Senado têm razões matemáticas e políticas. Em outubro, estarão em disputa dois terços da Casa, 54 das 81 cadeiras. A renovação, somada aos 27 senadores com mandato até 2031, pode mudar radicalmente a correlação de forças e definir rumos do próximo governo.
A campanha antecipada pela Presidência do Senado tem crucial dimensão institucional. A direita trata a eleição de senadores como plebiscito sobre excessos do STF. Ela busca reequilibrar os três Poderes da República com a contenção da Corte, mudanças na legislação e impeachment de ministros.
O movimento ficou explícito após Flávio Bolsonaro (PL) anunciar e depois se reunir em Brasília com os seus 47 candidatos ao Senado. O grupo defendeu uma Casa mais alinhada à defesa da Constituição e o compromisso com a destituição de magistrados, começando por Alexandre de Moraes, do STF.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




