i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Artigo

O Centrão é antidemocrático

  • PorSebastião Ventura Pereira da Paixão Jr.
  • 23/11/2020 19:56
Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa.| Foto: Pedro França/Agência Senado

Esqueça FHC. Esqueça Lula. Esqueça Bolsonaro. Poderia citar mais alguns mortos-vivos, mas esqueça-os também. Quem manda no Brasil é o Centrão, um grupo político numeroso, amorfo e movediço que, em vez do protagonismo e da liderança, prefere determinadas posições de retaguarda, regadas por generosas fatias do orçamento público. Fogem da luz, pois preferem as sombras.

Não traduz nenhuma novidade dizer que o sistema partidário brasileiro é uma colcha de retalhos. Objetivamente, o resultado parcial das eleições municipais exala sintomas e patologias. De todas, uma é por demais ilustrativa: os maiores partidos brasileiros em número de prefeituras – MDB, PP e PSD – são agremiações que não tiveram candidatos à Presidência da República nos últimos pleitos. Ou seja, são agremiações que vivem no pântano do fisiologismo político, subjugando, por sua maioria parlamentar, os projetos vencedores de poder.

Sem cortinas, o Centrão representa flagrante subversão da democracia, aniquilando a autonomia da governabilidade com consequente relativização do voto popular. Isso porque o povo pode escolher, mas, se o escolhido não se ajoelhar ao Centrão, irá capitular por deliberada asfixia parlamentar. E o interesse público, onde fica? Esqueça. Para essa turma o que importa são apenas os negócios da política de balcão. Sobram cifras no enterro da dignidade democrática.

Infelizmente, nosso sistema partidário é moral e institucionalmente falido; salvo raríssimas exceções, não há ideal, não há princípios, não há ética política. A questão é: o que fazer para rompermos a teia viscosa do fisiologismo doentio?

Ora, primeiramente, é imperativo admitir que as velhas soluções não funcionam mais; a sociedade exige novas e melhores respostas. Logo, de nada adianta bradar por mudanças e, contraditoriamente, insistir com hábitos que levam aos lugares de sempre. A realidade política requer posturas e incidências inovadoras que, com criatividade e talento, elevem a institucionalidade do poder, rompendo com o oportunismo antidemocrático do Centrão.

Para tanto, precisamos de lideranças políticas dignas e honestas que tenham a coragem e a habilidade necessárias para enfrentar o sistema posto. No campo aberto das soluções eficazes, é necessário explorar, com inteligência, as redes sociais para a geração de ondas cívicas transformadoras sobre o Congresso Nacional, impondo a votação vertical de pautas inadiáveis ao progresso do Brasil. Afinal, quando o povo quer, a classe política vota.

O desafio está em criar um virtuoso movimento dinâmico sobre o parlamento, quebrando a inércia legislativa que deixa o barco andar até onde possível for. Sim, o Congresso trabalha pouco e mal, gastando tempo e recursos em discussões laterais que não atacam a essência dos problemas nacionais. A democracia contemporânea exige obrigatória responsividade legislativa, por meio de um corpo político proativo, sério e dedicado a superar os entraves mesquinhos que condenam o Brasil ao baixo desenvolvimento econômico e à alta desigualdade social.

Ao contrário do radicalismo estúpido ou do extremismo cego, a democracia autêntica exige a superioridade da razão pensante e do ímpeto intemerato que vence o medo para levar luzes onde reina a escuridão. Temos de ter viva consciência de que, apesar de todas as deficiências do sistema democrático, nada – absolutamente nada – compensa aventuras outras que não sejam pautadas pelo regime das liberdades constitucionais, pelo livre debate das ideias e pelo respeito às diferenças humanas na vida em sociedade.

Democracia, antes de perfeição, é possibilidade. Enquanto houver decência cívica, sempre será possível o surgir da ação democrática que promova o bem a todos, com diálogo, equilíbrio e entendimento político. O Brasil, definitivamente, merece mais, pois não há nação que resista tanto a tão pouco.

Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr. é advogado e conselheiro do Instituto Millenium.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.