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Os professores ainda sofrem violências e desafios relacionados à condição de trabalho nas escolas. Apenas 7% dos docentes brasileiros se sentem valorizados da mesma forma que outras profissões, segundo pesquisa do Itaú Social, em parceria com o Instituto Península e Todos pela Educação. Esse cenário é reforçado por levantamento do Centro do Professorado Paulista (CPP), que aponta uma percepção generalizada de insegurança no ambiente escolar: mais de 60% dos docentes relatam já ter sofrido algum tipo de violência.
Com a desvalorização dos profissionais da educação, as entidades representativas possuem um papel essencial para defender os direitos dos professores, que são muitas vezes negligenciados, apesar de serem imprescindíveis para a formação de cidadãos e para o desenvolvimento socioeconômico do país. A meu ver, as entidades são capazes de dar voz e participação à classe dos educadores, principalmente em contextos de mudanças estruturais e debates legislativos.
Fortalecer a voz coletiva do magistério é uma estratégia indispensável para assegurar que o ensino oferecido aos estudantes seja sustentado por profissionais respeitados e plenamente capacitados
Um levantamento divulgado, em 2023, pelo IPEC (Instituto de Pesquisa e Consultoria) também mostrou que 71% dos professores relatam sobrecarga de trabalho, o que ocasiona estresse, ansiedade e cansaço. Se não existissem as entidades para reivindicar melhorias em políticas públicas, os direitos desses profissionais seriam colocados em xeque.
As associações promovem a educação de qualidade por meio de atuação técnica e plural na mediação de conflitos e também do suporte jurídico. Em minha experiência, vivenciei situações em que, com o auxílio da entidade, conseguimos garantir benefícios para profissionais do magistério, tanto ativos quanto aposentados.
As entidades representativas atuam como o elo indispensável entre as políticas públicas formuladas no papel e a realidade prática das escolas. Uma educação de qualidade não se constrói apenas com diretrizes pedagógicas ou infraestrutura tecnológica; ela depende da valorização e do bem-estar de quem a executa.
Ao defenderem direitos básicos, condições dignas de trabalho e a preservação da saúde mental dos docentes, essas organizações garantem que o professor tenha o suporte necessário para exercer o trabalho com excelência. Por isso, fortalecer a voz coletiva do magistério é uma estratégia indispensável para assegurar que o ensino oferecido aos estudantes seja sustentado por profissionais respeitados e plenamente capacitados.
Silvio dos Santos Martins é professor, pedagogo e presidente do Centro do Professorado Paulista (CPP).
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







