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Uma eleição não é decidida apenas por quem lidera as pesquisas. Ela é definida, sobretudo, por quem consegue crescer e, principalmente, por quem não consegue. Os dados mais recentes da pesquisa Genial/Quaest de abril ajudam a entender esse ponto com precisão ao analisar três dimensões fundamentais: conhecimento, potencial de voto e rejeição. Esse tripé revela não apenas quem está na frente, mas quem tem caminho e quem já encontrou o seu teto.
O primeiro filtro de qualquer candidatura é simples: ser conhecido. Sem isso, não há disputa real. Os dados mostram que nomes já consolidados nacionalmente concentram alto nível de conhecimento, enquanto candidaturas alternativas ainda enfrentam um problema básico de visibilidade.
O presidente Lula (PT) é conhecido por 98% dos eleitores, enquanto o senador Flavio Bolsonaro (PL) é conhecido por 91%. Por outro lado, nomes como o dos governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) são conhecidos apenas por cerca de metade da população. O desafio é ainda maior no caso de outros candidatos, desconhecidos por mais de 60% dos eleitores.
Num cenário de alta polarização e limites bem definidos, vence quem consegue crescer nos indecisos. Porque, no fim, eleições não são vencidas apenas com apoio. São vencidas com menos rejeição do que o adversário
Mas o ponto mais importante não é quem é conhecido, e sim o que deriva disso. Porque, na prática, há os conhecidos que têm potencial de crescimento, os conhecidos que já acumulam rejeição alta e os pouco conhecidos que ainda são uma “folha em branco”. São fatores essenciais para que o jogo se defina.
Na fotografia de abril, todos os nomes enfrentam o mesmo problema, em maior ou menor grau: mais pessoas dizem que poderiam rejeitar do que votar. Um candidato competitivo não é apenas aquele que tem intenção de voto hoje, mas aquele que ainda pode conquistar novos eleitores sem enfrentar barreiras emocionais ou políticas.
Se o potencial de voto define o quanto um candidato pode crescer, a rejeição define até onde ele consegue chegar. E aqui está um dos principais achados da pesquisa: os principais nomes da disputa também concentram níveis elevados de rejeição, o que cria um cenário de forte limitação estrutural.
O mais rejeitado é Lula, com 55% dos eleitores afirmando que não votariam no presidente. O petista também tem pouca margem de manobra, já que só 2% dos brasileiros disseram não o conhecer. Flávio Bolsonaro tem 52% de rejeição, mas ainda tem 9% dos eleitores que não o conhecem e podem ser conquistados.
Na prática, isso significa que não basta ampliar apoio – é necessário reduzir resistência. Os dados por posicionamento político reforçam que cada liderança possui um território mais ou menos consolidado. Entre eleitores alinhados ideologicamente, o potencial de voto é alto e a rejeição, menor. Já fora desse núcleo, o cenário se inverte rapidamente.
Isso indica que o desafio de 2026 é composto de algumas etapas: a primeira será mobilizar fortemente a base de militância de asfalto e usá-la para fortalecer o exército digital. Depois, é essencial romper a bolha por meio da força dessas ferramentas. A corrida tende a ser menos sobre quem tem mais votos e mais sobre quem consegue ampliar seu potencial, reduzir sua rejeição e atravessar fronteiras eleitorais.
Num cenário de alta polarização e limites bem definidos, vence quem consegue crescer nos indecisos. Porque, no fim, eleições não são vencidas apenas com apoio. São vencidas com menos rejeição do que o adversário.
Guto Araujo é publicitário e especialista em marketing político. É vice-presidente de planejamento do CAMP e coautor do livro “Marketing Político no Brasil”.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







