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Apelo aos senadores: em defesa da vida e da segurança jurídica, rejeitem Messias

Com aborto ditando tom da Sabatina, Messias deve enfrentar questionamentos sobre parecer sobre assistolia fetal.
Com aborto ditando tom da Sabatina, Messias deve enfrentar questionamentos sobre parecer sobre assistolia fetal. (Foto: Emanuelle Sena/AGU)

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A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal exige reflexão séria por parte do Senado Federal, a quem cabe a responsabilidade constitucional de aprovar ou rejeitar nomes para a mais alta corte do país. Não se trata de formalidade, mas de um dos atos mais graves da vida republicana.

Durante sua atuação na Advocacia-Geral da União, Messias esteve ligado a posicionamentos que favoreceram interpretações ampliativas sobre o aborto no Brasil. Esse histórico levanta preocupações legítimas sobre como poderá atuar em julgamentos futuros.

O direito à vida é um dos fundamentos mais essenciais de qualquer ordem jurídica. No Brasil, embora existam exceções legais, a proteção da vida desde a concepção permanece como um princípio estruturante que não pode ser relativizado por interpretações casuísticas.

Não cabe ao STF substituir o debate legislativo em tais temas. Mudanças profundas devem passar pelo crivo do Congresso Nacional, onde reside a representação direta da vontade popular, e não por decisões judiciais de caráter vinculante.

Cabe aos senadores exercer um juízo rigoroso, avaliando não apenas o currículo formal, mas também as posições já assumidas por Messias em questões que impactam profundamente a sociedade brasileira.

A eventual nomeação de um ministro com histórico de posicionamentos firmes em temas morais controversos compromete a percepção de imparcialidade, elemento indispensável à credibilidade da corte constitucional.

O Senado não pode se furtar ao seu dever. Cabe aos senadores exercer um juízo rigoroso, avaliando não apenas o currículo formal, mas também as posições já assumidas por Messias em questões que impactam profundamente a sociedade brasileira.

A judicialização crescente de temas éticos e culturais tem deslocado decisões fundamentais do campo democrático para o campo judicial. Esse processo precisa ser contido com responsabilidade institucional.

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A aprovação de um nome para o STF não é um gesto de alinhamento político, mas um compromisso com a Constituição e com as futuras gerações. Cada voto no Senado terá consequências duradouras.

Por isso, é necessário que os senadores considerem com prudência e consciência o impacto dessa indicação, especialmente no que diz respeito à proteção da vida e ao equilíbrio entre os Poderes.

Diante de tudo isso, fica o apelo para que os senadores da República rejeitem a indicação de Jorge Messias ao STF, em nome da segurança jurídica, da preservação da vida e do respeito ao processo democrático brasileiro.

Hermes Rodrigues Nery é especialista em Bioética pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Coordenador Nacional do movimento Legislação e Vida.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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