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Policiais prendem manifestantes em frente ao capitólio de Cuba durante os protestos de 11 de julho em Havana.| Foto: Ernesto Mastrascusa/Agência EFE/Gazeta do Povo

Oprimidos há pouco mais de seis décadas por um regime que fuzilou e seguiria fuzilando “até que seja necessário”, como se vangloriou Che Guevara em discurso nas Nações Unidas em 1964, os cubanos se levantaram neste domingo. Pediram mais qualidade de vida – o que demonstra o quanto de propaganda e o quanto de realidade existe em tudo o que se diz sobre a saúde e a educação em Cuba –, mas, acima de tudo, pediram a liberdade que lhes é negada desde que se instalou no país a ditadura dos Castro, comandada agora por Miguel Díaz-Canel. E o regime respondeu com aquela mesma violência que Guevara, figura que ainda seduz tantos também no Brasil, havia admitido diante do palco global da ONU.

Estas certamente são as maiores manifestações de rua desde 1994, quando Cuba vivia uma forte crise econômica depois que a fonte de dinheiro soviético havia secado, com o colapso do totalitarismo comunista na Europa Central e Oriental, mas há quem as considere as maiores desde o início da ditadura cubana. O país está sendo atingido pela terceira onda da Covid-19, faltam alimentos e medicamentos, há apagões de energia elétrica e falhas constantes na conexão de internet, e a inflação está em alta.

Presos em sua ilha, os cubanos merecem ser finalmente livres, e os protestos de domingo são um primeiro grito de um povo que já foi escravo por tempo demais

A propaganda oficial segue culpando as sanções norte-americanas pela escassez generalizada, mas ela é apenas mais uma confirmação de uma verdade comprovada em todo o mundo, em diversas décadas: o caos que o socialismo impõe às nações que o adotam, mesmo quando têm riquezas naturais mais que suficientes para gerar riqueza – como ocorre na Venezuela, mas não em Cuba. E os cubanos que foram às ruas em várias cidades do país estão conscientes disso. Eles já não se contentariam caso as condições de vida melhorassem na ilha e, ainda assim, a ditadura do Partido Comunista seguisse negando-lhes as liberdades mais básicas.

O regime respondeu com violência e repressão, incitadas pelo próprio ditador. “A ordem do combate é dada: às ruas os revolucionários. Terão de passar por cima de nossos cadáveres se querem enfrentar a revolução. Estamos dispostos a tudo”, afirmou Díaz-Canel. A internet móvel foi cortada em todo o país, dificultando a convocação para que mais cubanos se juntassem aos protestos e impedindo o compartilhamento de cenas das manifestações e da pancadaria que se lhes seguiu. Várias pessoas foram presas, levadas em veículos oficiais ou particulares. A ação das forças de segurança deixou vários feridos. Apoiadores da ditadura também fizeram sua parte, agredindo jornalistas que cobriam os protestos. As prisões e o corte da internet continuavam nesta segunda-feira, segundo relatos daqueles que conseguiam driblar as restrições, enquanto o ditador dizia que os “delinquentes” que ousaram pedir liberdade no domingo “tiveram a resposta que mereciam”.

Será este o início de uma “primavera cubana”? O mundo tem visto desfechos muito diversos para levantes populares mundo afora; houve os bem-sucedidos, os que mergulharam países em longas guerras civis e os que fracassaram. Na experiência mais próxima, a da Venezuela, apenas a população na rua não tem conseguido derrubar a ditadura bolivariana, já que o poder armado segue incondicionalmente leal a Nicolás Maduro. Presos em sua ilha, os cubanos merecem ser finalmente livres, e os protestos de domingo são um primeiro grito de um povo que já foi escravo por tempo demais.

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