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A ideologia e a saúde dos jovens
| Foto: Pixabay

A professora de Medicina Lisa Littman jamais votou no Partido Republicano em toda a sua vida. Docente de Brown, mais progressista do que as já muito progressistas universidades americanas, ela não faz parte de uma coalizão conservadora ou tradicionalista. Ainda assim, a professora foi escanteada por boa parte da comunidade acadêmica. O motivo: em sua pesquisa, ela identificou um fenômeno batizado de “disforia de gênero de desenvolvimento rápido”, no qual adolescentes subitamente passam a se identificar como transgênero, mesmo sem qualquer dos sinais prévios nesse sentido. Para a professora, muitos jovens que se identificam como transgênero, na verdade, estão passando por um processo diferente, com causas distintas.

A professora Lisa não está sozinha. Um livro recém-lançado – Irreversible Damage, que pode ser traduzido como “Dano Irreversível” –  mostra como as adolescentes nos Estados Unidos e em outros países estão suscetíveis a um fenômeno pouco estudado e que tem se espalhado como uma epidemia, ao mesmo tempo em que cientistas sucumbem à pressão de grupos militantes.

A autora do livro é a experiente jornalista Abigail Shrier, do Wall Street Journal. Ela entrevistou cerca de 200 pessoas, incluindo cientistas e familiares de adolescentes. A conclusão, sustentada por números, é alarmante: adolescentes estão passando a se identificar como transgêneros de forma repentina, muitas vezes com o apoio da escola e sem o consentimento dos pais. É um fenômeno distinto do das crianças e adolescentes que, por razões diversas, se identificam com o sexo oposto de forma consistente – embora estes, em 80% dos casos, deixam de fazê-lo conforme os anos passam.

A autora não analisa o fenômeno das pessoas transgênero como um todo, e tampouco os casos de meninos que se identificam como meninas. O recorte de Irreversible Damage é específico: as garotas adolescentes, geralmente mais suscetíveis à pressão de grupo. São meninas que estão sendo submetidas a tratamentos sem volta como bloqueadores de puberdade, ingestão de hormônios masculinos e até cirurgias de “readequação” corporal.

O fenômeno diagnosticado por Abigail Shrier funciona assim: a garota, insegura com o próprio corpo e com problemas de aceitação, se depara na internet com um vasto conteúdo sugerindo que esses são sinais de que ela pode ser transgênero. Ao procurar por mais informações a respeito, ela conhece influenciadores que apresentam apenas os aspectos positivos da “transição”, e ouve que, se ela acredita que possa ser transgênero, já o é. As amigas, criadas em um ambiente no qual ser transexual é tido um exemplo de coragem, dão todo o incentivo. Quando procurados, os médicos especialistas no assunto, por convicção ou receio e serem punidos por praticarem a chamada “terapia de conversão”, se limitam a reforçar a suspeita e colocar a garota no caminho da transição para o gênero oposto. O que poderia ser apenas um momento de confusão passageira ou uma tentativa de obter atenção dos colegas se torna uma jornada com consequências físicas e psicológicas irreversíveis.

A evidência reunida por Abigail Shrier é impressionante. Em poucos anos, o número de adolescentes que se identificam como transgêneros cresceu 1.000% nos Estados Unidos e 4.000% na Inglaterra. Tão preocupante quanto a epidemia descrita por ela é a tentativa de coibir as vozes dissonantes no mundo científico. Assim como Lista Littman, outros pesquisadores foram tolhidos depois de contestarem o paradigma dominante. O próprio livro de Abigail teve problemas com a Amazon, que não permitiu anúncios da obra em sua plataforma.

No Brasil, também é preciso que os pais e educadores estejam atentos ao fenômeno das adolescentes que subitamente passam a se identificar como transgênero. Nossas jovens estão sujeitas ao mesmo tipo de influência das americanas: a pressão de grupo, a onipresença das redes sociais e uma indústria do entretenimento cada vez mais abertamente militante em favor da chamada “causa transgênero”. Para ficar apenas no exemplo mais recente, a Netflix produziu e colocou no ar recentemente uma série infanto-juvenil (“Clube das Babás”) que tem um garoto “transgênero” de apenas 9 anos de idade como uma de suas personagens. A Netflix, orgulhosa, ainda convidou uma militante LGBT para comentar o episódio na página da companhia no Twitter e alertar não para os riscos da transição de gênero precoce, mas para a necessidade de que a sociedade não use os pronomes errados ao se referir a pessoas transgênero.

Em Irreversible Damage, Abigail Shrier apresenta uma lista de recomendações aos pais. A primeira é resistir à tentação de dar um smartphone à filha. Na lista também estão itens como “Não apoie a ideologia de gênero na educação da sua filha” e “não abra mão da sua autoridade como pai e mãe”. Para além disso, é preciso que as escolas ajam de forma responsável e informem a família sobre quaisquer sinais de que a criança ou adolescente possa estar passando por um processo de “disforia de gênero de desenvolvimento rápido”. E, tão importante quanto, espera-se que a comunidade médica cumpra o seu papel e não se dobre a militância de qualquer tipo. O que está em jogo é muito precioso: a saúde física e emocional das nossas garotas.

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