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Carteira de trabalho. Emprego formal. INSS.
Pnad Covid-19 registrou aumento do desemprego na última semana de agosto.| Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Na última sexta-feira, o IBGE divulgou os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), sondagem que começou a ser realizada em maio e que analisa dados do mercado de trabalho e comportamentos ligados à pandemia, como a prática do distanciamento social. Na quarta semana de agosto, a taxa de desemprego foi a mais alta desde o início da Pnad Covid-19: 14,3%, alta de 1,1 ponto porcentual na comparação com a semana anterior, correspondendo a 13,7 milhões de brasileiros, contra 12,6 milhões na semana anterior.

Pelos critérios do IBGE, é considerado desempregado aquele que não está trabalhando, mas está à procura de emprego. Portanto, em tese, ainda que as empresas não estivessem demitindo, a taxa de desemprego aumentaria no caso de muitas pessoas em situação de desalento (que não trabalham e também não estavam buscando uma colocação profissional) passarem a procurar trabalho. Mas os dados mostram que há uma combinação dos dois fenômenos. Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, afirmou que em muitas localidades havia pessoas que não estavam procurando emprego pelos mais diversos motivos – dificuldade de deslocamento, empresas fechadas –, mas que, com o relaxamento das restrições, voltaram à busca. No entanto, o número de ocupados também caiu na última semana de agosto: são 82,2 milhões, ou meio milhão a menos que na semana anterior.

Uma oportunidade de trabalho e facilidade para empreender superam qualquer tipo de auxílio quando se trata de recuperar a dignidade dos brasileiros

Como o número de informais subiu no mesmo período, de 33,4% para 34%, a coordenadora do IBGE conclui que são os trabalhadores formais que estão sofrendo mais com a perda de trabalho. Especialmente preocupante é o fato de muitos dos trabalhadores que estavam afastados devido às restrições ao contato social terem sido demitidos assim que foi possível retomar as atividades.

O país terá um quadro mais claro da situação do emprego formal em agosto quando for divulgado o número do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, o que deve ocorrer nos próximos dias. Segundo este indicador, julho registrou o primeiro saldo positivo na geração de postos formais de trabalho desde o início da pandemia, dado que foi comemorado por autoridades como o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, mas que, isolado, ainda não indica que o país entrou na retomada econômica. Muitos estados e municípios vivem um “efeito sanfona”, com negócios reabrindo diante de um arrefecimento nos números da pandemia e sendo obrigados a fechar logo depois quando há alguma piora na quantidade de mortos ou infectados pelo coronavírus. Essa falta total de previsibilidade (e, às vezes, de critérios claros nas decisões de prefeituras, governos estaduais e secretarias de Saúde Brasil afora) tem se mostrado fatal para muitas empresas e empregos, e nada faz crer que a situação mudará no futuro próximo.

Mesmo com as medidas desenhadas pelo governo para ajudar empresas a manter empregos (algumas das quais, infelizmente, tiveram seu alcance bastante prejudicado) e com a notável resiliência do empreendedor brasileiro, o trabalhador foi duramente atingido pela catástrofe econômica deixada pela Covid-19. E o governo federal, apesar da licença ilimitada para gastar em 2020 devido ao estado de calamidade pública, já não tem tanto fôlego para ajudar diretamente as empresas, por mais que uma oportunidade de trabalho e facilidade para empreender superem qualquer tipo de auxílio quando se trata de recuperar a dignidade dos brasileiros. Para os três poderes, em todas as esferas de governo, criar condições para se reduzir esta legião de desempregados é tão prioritário quanto combater a Covid-19.

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