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Editorial

Reforma na educação

Um ambicioso programa educacional está sendo preparado para o resgate do setor, fundamental para o desenvolvimento. Ao anunciar o plano, o presidente da República não hesitou em criticar o desempenho do sistema brasileiro, situando-o "entre os piores do mundo". Embora dispondo de bons recursos naturais, o Brasil tem enfrentando dificuldades para se desenvolver e uma das causas – apontam os analistas – é a deficiência na educação.

Com "a grande reforma para o setor", o presidente Lula reconheceu que embora universalizado nos últimos anos o ensino não apresentou melhoria substantiva na qualidade. De fato, vários indicadores apontam insuficiência no desempenho de nossos estudantes. Mesmo a antes conceituada rede pública mantida pelo estado de São Paulo tirou conceito abaixo de 40% na mais recente avaliação interna.

O Plano de Desenvolvimento da Educação compõe um pacote de projetos, desde o ensino básico até a universidade e foi preparado pelo ministro interino da Educação, Fernando Haddad, como um esforço bem-sucedido para permanecer no cargo; devendo o jovem titular fazer jus à efetivação trabalhando para melhorar a área, especialmente no nível fundamental. É que uma formação deficiente nos primeiros anos compromete as possibilidades de o estudante acompanhar os currículos nas séries futuras.

Também no ensino médio e técnico, as mudanças devem contemplar a progressiva extensão dos turnos para o período integral que conjugue aulas teóricas e aplicação prática em laboratórios experimentais, serviço de campo e outras formas de aprendizagem mais ricas – como idealizado pioneiramente no Brasil por Darcy Ribeiro.

Ainda, entre as medidas se situa a reforma da estrutura dos cursos universitários, com introdução de um ciclo básico em que os alunos cursariam disciplinas gerais em campos do conhecimento – Ciências Humanas, Exatas, Aplicadas, etc. – ganhando orientação para seguir formação especializada nos anos seguintes. Afastando-se do atual padrão, o modelo busca conter a evasão em nossas escolas públicas e dar uma educação universitária compatível com os desafios contemporâneos.

Ao anunciar a mudança, o presidente recomendou que o projeto do Ministério da Educação seja debatido com a sociedade e, especialmente, com ex-ministros como Murilo Hingel, Paulo Renato e Cristóvam Buarque. É medida de bom senso: reformas educacionais, pela sua repercussão, atingem profundamente a sociedade e, conquanto positivas, devem ser introduzidas com equilíbrio.

Lula também se manifestou incomodado com o fato de inovações pedagógicas como promoção escolar automática terem eliminado as avaliações periódicas, privando autoridades e educadores de instrumentos para correção de desvios. Pela regra atual um estudante medíocre vai "empurrando com a barriga", até se descobrir no fim do curso que ele não estava habilitado para aprovação. Antecipando-se e diante dos resultados de sua avaliação vexatória, o governo de São Paulo acaba de reintroduzir exames bienais na sua rede escolar.

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