Publicidade
Para entender

Bigorrilho lidera lista de bairros onde é mais fácil viver sem carro em Curitiba

Novo índice revela que a facilidade de resolver a vida a pé inflaciona o metro quadrado em Curitiba. (Foto: Gabriel Rosa/Arquivo Gazeta do Povo)

Um novo levantamento detalha quais bairros de Curitiba oferecem as melhores condições para quem deseja resolver a rotina caminhando. O Índice CWB de Caminhabilidade avaliou as 75 regiões da capital paranaense, destacando que a proximidade de serviços e a infraestrutura de transporte valorizam o metro quadrado e impactam diretamente a qualidade de vida e a segurança dos moradores da cidade.

Quais são os bairros com as melhores notas no ranking de mobilidade a pé?

O bairro Bigorrilho ocupa o topo da lista com 97,1 pontos em uma escala que vai até 100. Logo atrás aparecem as Mercês, com 96,9 pontos, seguidas pelo Alto da Rua XV, com 96,6. Os bairros Hugo Lange e Juvevê também se destacam, ambos com a nota de 95,3. Essas regiões são classificadas como excelentes por permitirem que o morador encontre farmácias, mercados e transporte em poucos minutos de caminhada. A média geral da cidade de Curitiba ficou em 71 pontos, o que mostra um bom nível de atendimento básico na maior parte das áreas urbanas avaliadas pelo índice.

O que define se uma região é considerada amigável para o pedestre?

A facilidade de caminhar não depende apenas de calçadas boas, mas do que existe ao redor da moradia. O índice avalia quatro critérios principais: a proximidade de serviços (como padarias e academias), que vale 60% da nota; a cobertura de transporte público, com 25%; a densidade comercial, com 10%; e o desenho das quadras, com 5%. Um conceito chave citado é a fachada ativa, que ocorre quando o andar térreo dos prédios possui lojas e vitrines voltadas para a rua. Isso evita muros altos e isolados, criando um ambiente mais movimentado, vivo e, consequentemente, muito mais seguro.

Como a facilidade de caminhar influencia o preço dos imóveis?

O mercado imobiliário em Curitiba já incorporou a caminhabilidade como um fator de valorização. Regiões onde é possível fazer tudo a pé costumam ter o metro quadrado mais caro. No Batel, por exemplo, o valor médio dos apartamentos é 20% superior à média da cidade. Embora o luxo do imóvel conte, a praticidade de economizar tempo e combustível pesa na decisão de compra. Incorporadoras agora utilizam métricas internacionais, como o Walk Score, para escolher terrenos onde os futuros moradores possam acessar serviços essenciais sem depender do automóvel no cotidiano.

Por que bairros nobres nem sempre garantem uma boa experiência a pé?

O estudo aponta o Ecoville como um exemplo curioso: apesar de concentrar prédios de alto padrão, o bairro sofre com a falta de comércio em trechos específicos. Isso gera ruas vazias fora dos horários de pico, aumentando a dependência do carro para tarefas simples. Diferente do planejamento dos eixos estruturais de Curitiba iniciado nos anos 80, que incentivava galerias comerciais no térreo para integrar o pedestre, algumas áreas novas focaram em condomínios fechados. Isso mostra que a caminhabilidade depende mais da mistura entre moradia e comércio do que do poder aquisitivo da região.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.