i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Especial Crise Hídrica

O que provocou a falta de chuva no Paraná, deixando torneiras e lavouras secas

  • Por Katia Brembatti
  • 25/05/2020 21:01
Situação da represa Passaúna, na região metropolitana de Curitiba.
Situação da represa Passaúna, na região metropolitana de Curitiba.| Foto: Gilson Abreu/AEN

Muitos especialistas estão com dificuldades para explicar o que está acontecendo com o regime de chuvas no Paraná, que está abaixo da média histórica há vários meses, provocando uma das estiagens mais prolongados do estado. Mas há indícios de que a seca seja reflexo de um El Niño. Para muitas pessoas, isso pode não fazer sentido, já que na escola é ensinado que o fenômeno da elevação na temperatura da superfície do oceano Pacífico, na região equatorial, causa mais chuvas e que o La Niña é que provoca estiagem.

RECEBA notícias sobre o Paraná pelo WhatsApp

Mas o clima é um pouco mais complexo do que isso e não fica restrito a essas definições herméticas. Quem entende do assunto é a pesquisadora Alice Marlene Grimm, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutora em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP). Como uma das principais especialistas em clima, ela recentemente publicou artigos em revistas internacionais, como a Nature, mostrando, entre outros aspectos, como o El Niño afeta o ciclo de chuvas na região Sul do Brasil.

Alice explica que há, predominantemente, dois tipos de El Niño, um chamado de Central, quando o aquecimento da água do oceano é mais localizado no “meio” do Pacífico, e outro Leste, quando a elevação das temperaturas está mais concentrada na região próxima à costa das Américas. O Leste provoca mais chuvas no Brasil, particularmente no Sul. Já o Central leva mais precipitações para a região Nordeste e menos para o Sul. De acordo os dados monitorados nos últimos meses, Alice Grimm defende que estamos num período de El Niño Central.

A combinação de outros fenômenos climáticos também deve estar interferindo, na avaliação de Alice Grimm, causando alterações na circulação atmosférica. A oscilação multidecadal do Atlântico Norte, nas duas últimas décadas, colaborou para a tendência de menos chuvas na região Sul do Brasil. Já a oscilação interdecadal do Pacífico está negativa, também contribuindo para secas. Em menor proporção, o desmatamento da Amazônia também pode ter contribuído, estima a pesquisadora, diminuindo a umidade e reduzindo a quantidade de chuvas no Sul do país.

O volume precipitado está em tendência de baixa desde 2018, conforme os institutos meteorológicos consultados pela Gazeta do Povo. Mas nos últimos sete meses a situação se acentuou. Alice Grimm destaca que, de modo geral, setembro e outubro de 2019 já registraram índices pluviométricos abaixo da média histórica. Novembro e dezembro foram menos anormais. Mas a partir de janeiro e fevereiro é que a estiagem se instalou de vez, estabelecendo uma sequência de meses de seca.

A pesquisadora destaca que os sinais vinham aparecendo – embora o fenômeno costume começar com baixa intensidade – e mesmo assim, na visão dela, muitos gestores públicos não perceberam a perigo que se avizinhava. “Fiquei pasma com a demora para perceber a gravidade”, comenta. Ela também enfatiza que se tratam de processos naturais que poderiam ser estimados, e para os quais era possível estar preparado. O resultado tem sido falta de abastecimento de água em vários pontos do Paraná e prejuízos na agricultura e na pecuária.

1 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 1 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.

  • R

    RICK

    ± 0 minutos

    Desde a Rio-92 já se sabia que os resultados chegariam algum dia. Continuem dando palco para negação da ciência ...

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • Máximo 700 caracteres [0]