Secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto.
Secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto.| Foto: Gerson klaina/Tribuna do Paraná

Com hospitais deixando de receber pacientes com Covid-19 por falta de leitos, o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, alerta que o Paraná está próximo do colapso com ao avanço muito acelerado da pandemia. Terça-feira (2), o estado chegou ao número mais alto de pacientes infectados com coronavírus aguardando um leito: eram quase 700 pessoas na fila. No mesmo dia, a ocupação de UTIs ficou em 92% em todo Paraná.

“Diria que estamos entrando em colapso. Estamos ainda no pré-colapso, com os hospitais já tendo de deixar as portas fechadas. Por isso o decreto estadual entrou em vigor semana passada e a luta diária para abrir mais leitos”, ressaltou o secretário em entrevista nesta quarta-feira (3) ao jornal Bom Dia Paraná, da RPC. Segunda-feira (1.°) o estado abriu 198 leitos de Covid-19, sendo 55 de UTI e 93 de enfermaria. O planejamento é abrir mais 97 vagas nos próximos dias.

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Beto Preto enfatiza que o momento é “de vida ou morte” para pedir a compreensão da população no cumprimento do decreto, além de que todos sigam as orientações sanitária, em especial o pedido para quem pode ficar em casa, além do uso de máscara, distanciamento de 1,5 m e higienização das mãos. Em vigência até 8 de março, o decreto estadual seguido pela maioria dos municípios paranaenses, determina o fechamento do comércio não essencial, a suspensão das aulas e o toque de recolher e proibição da venda e consumo de álcool das 20h às 5h. Além disso, as cirurgias não urgentes estão suspensas em todo o estado até o fim de março para reservar mais leitos para pacientes com coronavírus.

“O momento é dramático, crítico e pedimos a compreensão, tolerância, paciência e colaboração de todos. Acredito que temos duas saídas: a vacinação em massa e, em março, a diminuição da circulação das pessoas”, clamou o secretário.

Beto Preto também lembrou que é bem possível que o quadro atual é esteja sendo potencializado pela nova variante do coronavírus que já havia levado em janeiro a cidade de Manaus, no Amazonas, ao colapso por falta de leitos e de oxigênio. “Estamos diante de uma variante amazônica que é quatro vezes mais rápida e agressiva e que pode ser a responsável por todo esse crescimento exponencial da pandemia”, completou Beto Preto.

Risco de falta de oxigênio, medicamentos e insumos

O gestor da Secretária Estadual de Saúde (sesa), o médico Vinícius Filipak, alerta que além da falta de leitos, o colapso pode ocorrer também por falta de oxigênio, medicamentos e outros insumos, principalmente no tratamento intensivo “Poderá haver falta de capacidade de produção das indústrias de medicamentos e oxigênio”, alerta Filipak.

É o que já vem ocorrendo no Hospital de Retaguarda de Cascavel, referência no tratamento de Covid-19 na Região Oeste, a mais atingida pelo avanço da pandemia junto com a Região Leste. Desde domingo, o hospital municipal está em colapso. Terça-feira (2), deixou de receber pacientes com coronavírus por estar superlotado: além da ocupação dos 48 leitos de enfermaria e de terapia intensiva, havia 26 pacientes nos corredores aguardando em macas por uma vaga de internamento.

O Hospital de Retaguarda também já sofre com falta de insumos. Domingo, a direção do hospital chegou a emprestar do zoológico de Cascavel um respirador nove bombas de infusão – que leva o medicamento do soro ao braço do paciente. No caso da bomba, o diretor do hospital, o médico Lisías Tomé, explica que pela alta demanda gerada pelo avanço da pandemia no Brasil inteiro, a indústria já não consegue mais entregar a bomba com prazo de menos de 15 dias. Já em relação aos respiradores, Cascavel recebeu terça-feiras 5 aparelhos enviados pelo Ministério da Saúde para abrir mais leitos de UTI.

Entretanto, as bombas emprestadas do zoológico não puderam ser usadas justamente por falta de insumo. no caso, a borracha que empurra o medicamento para o paciente, que precisa ser trocada a cada duas ou três horas. Com isso, as equipes de enfermagem ganharam um trabalho extra em um quadro já superlotado: controlar manualmente a medicação dos pacientes internados.

“Esse sistema é como se fazia nos hospitais antigamente, o que demanda mais tempo da enfermagem, que precisa ficar conferindo as doses a toda hora”, explica o diretor do Hospital de Retaguarda.

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