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Francisco, el Hombre fez apresentação polêmica no interior do Paraná.
Francisco, el Hombre causou polêmica em apresentação no interior do Paraná.| Foto: Reprodução/Rede Social Francisco, el Hombre

A Prefeitura de Toledo, município com pouco mais de 142 mil habitantes na região oeste do Paraná, avalia não pagar pela apresentação da banda paulista Francisco, el Hombre, que aconteceu durante a Virada Cultural no último fim de semana. Uma das músicas tocadas, “Arranca a cabeça do rei”, foi considerada uma manifestação política contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. Segundo o prefeito de Toledo, Beto Lunitti (MDB), a banda não será mais convidada para tocar na cidade.

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A letra da canção aborda: “arranca a cabeça do rei, pra acabar com a dor, cabeça do imperador, pra bater de frente, me traga a cabeça do presidente”. A última frase rendeu críticas imediatas de parte da população da cidade em que Bolsonaro recebeu 68,76% dos votos válidos no segundo turno das eleições. Além da música, houve críticas pelo fato de um dos integrantes ter se apresentado de sunga.

“É o desejo do prefeito não pagar essa banda por infração contratual, porém se tivermos que pagar será por pareceres jurídicos. Preciso dar atenção aos procedimentos jurídicos, se a cláusula colocada no contrato supre essa necessidade”, afirmou Lunitti.

A Virada Cultural foi organizada pela Secretaria de Cultura de Toledo, em comemoração dos 70 anos do município, celebrados no último dia 14. Francisco, el Hombre se apresentou no palco no Parque Ecológico Diva Pain Barth, onde fica o principal cartão-postal de Toledo, o lago municipal.

População reclamou de Francisco, el Hombre

A reação de parte da população fez com que o prefeito fosse às redes sociais no dia seguinte ao espetáculo. Sem citar o nome do grupo, Lunitti se disse indignado. “Nós temos o contrato firmado com essa banda e na sua cláusula 13º é proibido [sic] manifestações políticas e na verdade o comportamento também foi inadequado à cultura local. Nós assumimos um compromisso que essa banda não tocará mais em Toledo e os novos contratos que faremos com outras bandas faremos constar questões que envolvem comportamentos de artistas para que nós tenhamos sempre o melhor show para Toledo”, disse o prefeito.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Lunitti respondeu que o assunto da apresentação está superado, mas que há desdobramentos adotados. “A programação oficial dos 70 anos de Toledo se iniciou em 27 de março, data da chegada dos primeiros desbravadores e se encerra em 31 de dezembro. Neste período tivemos bandas que realizaram shows e em nenhuma delas tivemos [manifestações políticas], especificamente [nesta apresentação] por um minuto ou dois, [foi] uma situação que se elevou potencialmente por conta do movimento de polarização política, que a gente compreende e que estava na cláusula 13ª da letra D do contrato que proíbe manifestações políticas no palco”, reforçou.

“Já de pronto em decorrência do fato conversamos no gabinete e iniciamos um processo de consulta para que a fiscal do contrato verifique o que aconteceu e quais desdobramentos com pareceres jurídicos”, seguiu.

A banda ainda não se manifestou sobre a repercussão do show no interior do Paraná, mas a posição contrária de Francisco, el Hombre a Bolsonaro não é nova, e marcou a  apresentação do grupo no Rock in Rio Lisboa, no mês de junho. A dose de politização já era marca no primeiro álbum da banda que, em 2016, lançou a música “Bolso nada”, que faz referências sem citar explicitamente o presidente da República.

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