Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Em Antonin

Prefeita de cidade do litoral do Paraná corre risco de perder mandato

Prefeita Rosane Ozaki
Prefeita Rozane Ozaki tem mandato sob risco em Antonina. (Foto: João Crisanto/Prefeitura Municipal de Antonina)

Ouça este conteúdo

O mandato da prefeita de Antonina, Rozane Osaki (PSD), está sob risco de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O processo apura suposto abuso de poder político e conduta vedada devido à criação do programa “Tarifa Zero” em ano eleitoral.

Caso a Corte confirme a condenação, o último pleito municipal será anulado e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR) convocará novas eleições suplementares.

O caso começou em 5 de junho de 2024, quando o então prefeito José Paulo Vieira Azim sancionou a Lei nº 031/2024, que liberou as catracas dos ônibus municipais. Na época, a passagem custava R$ 5,00.

MPE aponta conduta vedada na criação de programa social em ano eleitoral
O Ministério Público Eleitoral (MPE) questionou o momento da implementação. O órgão argumenta que a legislação proíbe os municípios de concederem benefícios ou serviços gratuitos em ano de eleição. Na representação, o MPE aponta que a isenção serviu como “trampolim eleitoral” para beneficiar Rozane Osaki, então vice-prefeita e candidata ao cargo máximo do Executivo.

Rozane foi eleita em primeiro turno com 5.999 votos (50,01% dos válidos). A segunda colocada, Mônica Peluso (Republicanos), alcançou 40,12% (4.812 votos). Diante da diferença estreita, a tese de abuso de poder político ganhou força na denúncia. O recurso atingiu a instância máxima da Justiça Eleitoral e é julgado no plenário virtual do TSE.

Até o momento, o placar conta com dois votos favoráveis à cassação da chapa: o do relator, Floriano de Azevedo Marques, e o do ministro Nunes Marques. O veredito depende do voto dos ministros André Mendonça, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Dias Toffoli e Estela Aranha. O julgamento está suspenso por um pedido de vista.

Antonina poderá ter novas eleições

Além da prefeita, o vice-prefeito Diogo Alves Machado e o ex-prefeito José Paulo Vieira Azim respondem ao processo. Se a cassação prevalecer, os votos da chapa serão anulados. Pela legislação, quando um candidato eleito majoritariamente tem o mandato cassado por crimes eleitorais, independentemente do percentual de votos, novas eleições devem ser convocadas.

Nas ruas de Antonina, as opiniões se dividem. Apoiadores da prefeita alegam que o passe livre trouxe melhorias sociais reais. Opositores apontam o impacto financeiro de longo prazo que o subsídio total pode causar às finanças públicas. Enquanto o TSE não conclui o julgamento, o município litorâneo aguarda a decisão que definirá o futuro da governança.

Prefeita diz que programa não interferiu em votos

Em nota enviada à reportagem, a assessoria da prefeita Rozane Osaki informou que o TRE-PR concluiu, por maioria, que não houve comprovação de que o programa “Tarifa Zero” tenha influenciado o resultado das eleições. A defesa destacou que a política pública foi planejada na gestão anterior, muito antes do período eleitoral.

“Quanto ao recurso no TSE, o julgamento encontra-se suspenso em razão de pedido de vista. Recebo essa etapa com tranquilidade e confiança, especialmente diante da sólida fundamentação adotada pelo TRE-PR, órgão que possui maior proximidade com a realidade local”, declarou a prefeita, que afirmou continuar concentrada no trabalho pela população.

O ex-prefeito José Paulo Vieira Azim e o vice-prefeito Diogo Alves Machado foram procurados pela reportagem nesta quarta-feira (3) e nesta quinta-feira (4), mas não enviaram retorno até a publicação da reportagem.

VEJA TAMBÉM:

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Tudo sobre:

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.