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Butantan já negociou doses da Coronavac com cinco estados.
Butantan já negociou doses da Coronavac com cinco estados.| Foto: Governo de São Paulo

Com a vacinação da Covid-19 avançada, o governo do Paraná e prefeituras do estado não veem necessidade neste momento de adquirir o imunizante fora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. Porém, há possibilidade de doses chegarem ao estado nos próximos meses pelo consórcio de municípios formado em março para tentar comprar vacinas.

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Desde o início de setembro, o Instituto Butantan se tornou o primeiro laboratório a negociar vacina diretamente com estados e municípios, após o órgão afirmar que entregou todas os imunizantes da Coronavac compradas pelo PNI. Cinco estados já encomendaram doses ao Butantan: Ceará, Piauí, Espírito Santo, Pará e Mato Grosso. Os pedidos de venda direta somam 2,5 milhões de vacinas.

Porém, o Ministério da Saúde notificou quarta-feira (22) o Butantan afirmando que o laboratório não repôs todas as 12 milhões de Coronavac que foram embargadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) neste mês. O instituto já teria reposto 4 milhões de doses e tem até 30 de setembro para entregar as outras 8 milhões.

No Paraná, nem a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), nem as prefeituras abriram até agora negociação pela vacina, confirma o Butantan. Cenário bem diferente do fim de 2020, quando, mesmo com nenhum imunizante ainda aprovado, houve uma corrida das principais cidades do Paraná na tentativa de adquirir vacinas do laboratório do governo paulista.

O governo do estado confirma que por enquanto a compra está descartada. Segundo a Sesa, a aquisição só deve entrar no planejamento "se a estratégia do PNI não funcionar". Mesmo assim, o estado não descarta aquisição de doses no futuro, não só da Coronavac. Tanto que a Secretaria de Saúde segue em diálogo com os fabricantes de vacinas.

Já as prefeituras de Curitiba, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Londrina e Ponta Grossa também afirmaram não ter necessidade a curto prazo de aquisição. Esses municípios chegaram a encomendar vacinas do Butantan ainda no fim de 2020. Mas o Ministério da Saúde acabou requerendo toda a produção de Coronavac do Butantan e de Astrazeneca da Fiocruz para o Plano Nacional de Imunização, impossibilitando a negociação das prefeituras naquele momento.

Em Curitiba, o prefeito Rafael Greca (DEM) chegou a negociar em 2020 a compra de Coronavac diretamente com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Agora, a prefeitura da capital informa não haver interesse neste momento de adquirir doses do Butantan. Isso porque toda a população adulta curitibana já recebeu a primeira dose e o Ministério da Saúde decidiu não incluir a Coronavac na aplicação da terceira dose nos idosos. Apenas a vacina da Pfizer está autorizada para adolescentes e na terceira dose.

"A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba entende que as vacinas do Instituto Butantan não teriam público para ser atendido neste momento no município. Todas as vacinas têm prazo de validade e adquirir vacinas sem ter público específico para ser aplicado seria temerário nesse momento", argumenta a prefeitura.

Mesmo argumento da prefeitura de Foz do Iguaçu, onde a imunização está avançada pelas remessas de reforço de doses enviadas pelo PNI ao longo da campanha pelo risco de contágio nas fronteiras com Paraguai e Argentina, as mais movimentadas do Brasil.

"A prefeitura de Foz do Iguaçu informa que não pretende fazer a aquisição de vacinas, uma vez que tem recebido as doses necessárias pelo Ministério da Saúde", informa o município do Oeste do Paraná, que também já aplicou a primeira dose em 100% da população adulta. "Assim, a estimativa é de que ainda falta imunizar pouco mais de 9 mil pessoas para completar a imunização adulta. Com as novas doses recebidas esta semana, essa meta deve ser concluída", completa a prefeitura de Foz.

A prefeitura de Cascavel, por sua vez, informa que via no fim de 2020 necessidade de se adiantar ao PNI e tentar comprar vacinas por conta própria pelo cenário de incerteza da época. Quadro diferente do atual. "Agora, o fluxo já está andando bem e praticamente toda nossa população está vacinada com a primeira dose. Não há, portanto, interesse no momento em adquirir mais doses", informa o secretário municipal de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak.

A prefeitura de Londrina afirmou que "neste momento, o município vai seguir a distribuição de vacinas do Ministério da Saúde". Mesma resposta de Maringá: "o município avançou na campanha de vacinação e neste momento não vê necessidade da aquisição. Se for preciso Maringá fará contato com potenciais fornecedores", afirma a prefeitura.

Ponta Grossa também respondeu que até poderá comprar vacinas, mas só se realmente houver necessidade. "Neste momento, a Fundação Municipal de Saúde de Ponta Grossa está avaliando a oferta pelo Plano Nacional de Imunização e a necessidade. Após a avaliação, será possível tomar medidas", informa o município dos Campos Gerais.

Consórcio de municípios

Há possibilidade de doses chegarem ao Paraná fora do plano do Ministério da Saúde por uma terceira via. Trata-se do Consórcio Conectar, formado pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) em março para comprar o imunizante da Covid-19, mas que hoje avançou para outras políticas públicas na área da saúde. A iniciativa conta com 2.500 prefeituras cadastradas em todo o Brasil. No Paraná, são 278 municípios do total de 399 no estado.

"O Conectar já abriu diálogo com o Instituto Butantan e aguarda informações técnicas e comerciais para realizar consulta junto aos municípios consorciados sobre a possível aquisição de doses da vacina Coronacac", informa a gestão do consórcio em nota.

O Conectar teve atuação ativa de dois prefeitos paranaenses em sua formação: Rafael Greca, de Curitiba, que fez a primeira articulação entre os prefeitos, e Chico Brasileiro, de Foz do Iguaçu, que é vice-presidente da FNP.

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