Plenário da Câmara de Vereadores de Curitiba.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

A Câmara Municipal de Curitiba perdeu o relatório de uma Comissão Especial que foi instalada em 1998 com o objetivo de investigar possíveis irregularidades na administração do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), que naquele ano passava por dificuldades financeiras.

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Ainda que as investigações sejam referentes a fatos que ocorreram há cerca de 20 anos, parte das investigações concentrou-se em analisar dívidas geradas pelo não pagamento da contribuição mensal da prefeitura ao instituto nas gestões de Rafael Greca (PMN), em seu primeiro mandato, e Cassio Taniguchi. A mesma situação voltou a acontecer no fim do mandato do ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) e gerou uma dívida já reconhecida de R$ 212 milhões.

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“Lamentamos informar que o Relatório não foi encontrado em nossos arquivos. Fez-se uma busca também nos Diários da Câmara, uma vez que na Ata de uma das reuniões desta Comissão, há a citação de que o Relatório Final seria publicado, mas, aparentemente, não foi. No Processo original o Relatório também não consta”, informou o legislativo municipal em resposta a um pedido de informação protocolado pela reportagem da Gazeta do Povo com base na Lei de Acesso à Informação.

Na última quinta-feira (25), a Comissão Executiva da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Serginho do Posto (PSDB), determinou a abertura de uma sindicância para apurar o extravio do documento.

Relatório paralelo

Apesar do sumiço do relatório oficial, há um segundo documento que traz informações sobre o trabalho da comissão. O então vereador de Curitiba – e hoje deputado estadual – Tadeu Veneri (PT), que era o relator da comissão, publicou como relatório paralelo as conclusões a que chegou sobre as investigações, já que seu relatório não foi aprovado pela maioria dos membros do grupo.

Segundo o documento subscrito por Veneri, a crise financeira pela qual passava o IPMC na época das investigações foi agravada “em função do não repasse da parte patronal ao Instituto durante as gestões dos prefeitos Rafael Greca [em sua primeira passagem pelo Executivo] e Cassio Taniguchi”.

Segundo o documento, a ausência paulatina de repasses devidos pela prefeitura ao IPMC gerou uma dívida de R$ 52,8 milhões, em valores da época. Ainda de acordo com o relatório, em setembro de 1998, prefeitura e IPMC adotaram o entendimento de que os repasses devidos já haviam sido feitos em forma de pagamento de aposentadorias; portanto não existiriam débitos do Executivo com o instituto.

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Em 2017, depois do envio do pacote de ajuste fiscal de Rafael Greca à Câmara, Tadeu Veneri retomou as informações apuradas pela comissão, desta vez da tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná.

“Faço esse registro porque é interessante como a história muitas vezes faz uma volta, e a falta de memória daqueles que de pronto fazem as justificativas para os seus erros como sendo responsabilidade de outros ou de terceiros, fazem com que às vezes, como é esse o caso, acabem sendo traídos pela própria história”, disse.

Procurada, a prefeitura de Curitiba preferiu não comentar o assunto.