Costa e Silva, Emilio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo: ação quer retirar fotos dos presidentes da ditadura da galeria exposta no Planalto.| Foto: Evandro Éboli/ Gazeta do Povo

O presidenciável e deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), se eleito em 2018, irá desobedecer uma eventual decisão judicial que obrigue a retirada das fotos dos presidentes da ditadura da Galeria dos Presidentes, exposta no andar térreo do Palácio do Planalto. E, em tom de deboche, avisa que irá incluir nesse rol a imagem do coronel Carlos Brilhante Ustra, que já foi condenado por tortura e comandou o Doi-Codi em São Paulo durante a ditadura, entre 1970 e 1974. Relatório da Comissão Nacional da Verdade aponta que, quando esteve à frente do órgão, ocorreram 45 mortes e desaparecimentos de opositores do regime. Ustra morreu em 2015.

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Bolsonaro se refere a uma ação ajuizada na Justiça Federal em Curitiba (PR) e revelada pela Gazeta do Povo em 21 de agosto último. Os autores da ação são os sindicatos dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná, dos Servidores do Magistério de Curitiba e estudantes de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Eles argumentam que a presença dos cinco presidentes militares daquele período na galeria, tratados na ação como "ditadores", fere o ideário democrático e republicano, além de causar dano ao patrimônio histórico, cultural e turístico. Os autores comparam a fase militar no país à Alemanha de Adolf Hitler, e dizem que não será tolerada nova ditadura no Brasil. 

Bolsonaro reagiu à iniciativa dos sindicatos e se manifestou em grupos de WhatsApp. Ele projetou sua vitória e anunciou que voltará com as fotos. "Se retirarem, eu coloco tudo novamente em 2019 e ainda acrescento a do coronel Ustra", ameaçou Bolsonaro. No post ele incluiu uma foto em que aparece de faixa presidencial sendo carregado nos braços de seus apoiadores. 

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Brilhante Ustra é uma referência para Bolsonaro, que foi seu amigo. Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, ele homenageou o coronel durante seu voto pelo afastamento da petista, o que causou polêmica. O caso foi parar no Conselho de Ética da Câmara, sob acusação de apologia ao crime de tortura, mas foi arquivado por 11 a 1. 

A Galeria dos Presidentes é um "espaço para fotos de todos os brasileiros diplomados presidentes da República" e, portanto, não considera se foi eleito por voto direto ou não. Ali estão as fotos de todos presidentes do país, exceto o de Michel Temer. Somente quando ele deixar o cargo é que sua foto será exibida, critério utilizado para todos.