General Mourão (foto) e Onyx, futuro chefe da Casa Civil,  brigam por protagonismo no governo Bolsonaro | Antonio Cruz
Agência Brasil
General Mourão (foto) e Onyx, futuro chefe da Casa Civil, brigam por protagonismo no governo Bolsonaro| Foto: Antonio Cruz Agência Brasil

Uma disputa interna em busca de protagonismo na equipe de Jair Bolsonaro (PSL) não tem dado descanso ao presidente eleito. A discussão da vez é entre o vice, general Hamilton Mourão, e o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O primeiro está insatisfeito com as atribuições de seu cargo e quer parte das responsabilidades do colega. Este, por sua vez, tenta se defender da movimentação. Enquanto isso, outros nomes da equipe ganham notoriedade, caso dos futuros ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Justiça, Sergio Moro

Entre as funções do vice-presidente, está a de substituir o titular do Executivo no caso de impedimento do presidente ou quando o cargo se torna vago por causa de viagens oficiais, por exemplo. Já a Casa Civil é considerada o "ministério dos ministérios", ao qual cabe a supervisão de toda a Esplanada. 

Mourão quer Onyx cuidando somente da articulação com o Congresso

Onyx é considerado o nome mais político da equipe de Bolsonaro, o que lideraria a articulação com o Congresso Nacional. Essa é a justificativa utilizada por Mourão para defender internamente a transferência das atribuições da Casa Civil para a vice-presidência. Publicamente, o general nega que isso seja algo concreto. 

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"É um estudo, uma vez que as atribuições do ministro Onyx são bem amplas, se houver concordância de todos, a gente pode organizar isso de uma forma que seja mais eficiente e eficaz para o governo", afirmou Mourão na segunda-feira (19), em entrevista à imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (CCBB), cerca de três quilômetros do Palácio do Planalto, onde funciona o gabinete de transição. 

Onyx quer manter a Casa Civil com as atuais atribuições

Insatisfeito com a ideia de Mourão, Onyx planeja nomear um secretário-geral para auxiliá-lo nas negociações com o Congresso. Seria uma forma de não precisar abrir mão das funções naturais da Casa Civil, nem das que acumulou com o fim da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), na gestão de Michel Temer nomeada Secretaria de Governo. Essa secretaria é a responsável pela interlocução do Executivo com o Legislativo. 

Bolsonaro tenta acalmar os ânimos da equipe

Em Brasília nesta semana, Bolsonaro tenta acalmar os ânimos da equipe. Deputados que estiveram no gabinete da transição nesta quarta-feira (21) relataram um clima de tensão entre os protagonistas do embate

Essa não é a primeira vez que o presidente eleito precisa intervir para conter um ciúme interno entre seus escolhidos. Na primeira semana de trabalhos da transição, ele criou a secretaria-geral da transição para acomodar o ex-presidente do PSL Gustavo Bebiano, um de seus mais próximos aliados, que se sentia desprestigiado com a liderança de Onyx no grupo. O futuro chefe da Casa Civil é o coordenador da transição. 

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Quem vem ganhando notoriedade

Sem estar no centro da disputa Mourão-Onyx e com total confiança de Bolsonaro para agir, segundo relatos de aliados, dois futuros ministros têm ganhado notoriedade: Sergio Moro, que assumirá a superpasta da Justiça e Segurança Pública, e Paulo Guedes, o futuro superministro da Economia. Os dois estão emplacando nomes de confiança nos cargos que lhes compete. 

Moro, por exemplo, anunciou na segunda-feira (19) a indicação de um grupo com quem trabalhou na força-tarefa da Lava Jato para ajudá-lo na equipe de transição. São eles: Rosalvo Franco Ferreira, ex-superintendente regional da Polícia Federal no Paraná; Erika Marena, uma das primeiras delegadas a comandar a operação; Marcos Koren, ex-chefe de comunicação da Superintendência da PF no Paraná.

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No dia seguinte, o ex-juiz confirmou para a direção-geral da PF o delegado Maurício Valeixo, chefe da polícia do Paraná, e Erika Marena para comandar o departamento de recuperação de ativos e cooperação jurídica internacional do ministério da Justiça.

O economista Roberto Castello Branco é outro exemplo que ilustra esse cenário. Ele foi confirmado na presidência da Petrobras no governo Bolsonaro, como queria Paulo Guedes, de quem é amigo desde 1980. O núcleo militar do futuro governo chegou a cogitar um nome das Forças para a presidência da estatal durante a campanha, ideia que não vingou.

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