| Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), criticou nesta quarta-feira, 11, na sede do partido em Pernambuco, a juíza Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, que proibiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, de participar de entrevistas e da convenção do partido.

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A senadora disse que lamentava a decisão porque “até Marcinho VP, traficante, deu entrevistas”. Gleisi acusou o Judiciário de transformar o Brasil em uma “republiqueta de bananas”.

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“Um criminoso deu entrevistas, o presidente Lula que é a maior liderança popular desse país e está com seus direitos políticos preservados não pode dar entrevistas? O que se faz com Lula é uma injustiça atrás da outra, mas o povo não vai abandonar ele. Essa perseguição política está ficando feio para o Brasil no mundo. As pessoas olham e dizem: republiqueta de bananas que não tem uma democracia forte, que não respeita suas instituições”, afirmou a senadora.

Gleisi também criticou a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, por acusar o desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) Rogério Favreto de prevaricação ao conceder habeas corpus ao ex-presidente petista enquanto estava de plantão do domingo passado, dia 8.

“[Sérgio] Moro não prevaricou impedindo o cumprimento da sentença pela Polícia Federal? Não observando o devido processo legal? Em que país estamos vivendo?”, questionou a dirigente do PT.

Aliança

Durante quatro horas, Gleisi esteve reunida com a cúpula do PT em Pernambuco para conversar sobre o futuro do partido nas eleições 2018. No Estado, o partido se divide entre lançar candidatura própria, da vereadora Marília Arraes, ou compor a chapa do governador Paulo Câmara, pré-candidato à reeleição. De acordo com a senadora, as conversas com os pessebistas continuam, mas não há avanços.

Gleisi também discutiu sobre o calendário de atos em defesa de Lula que deve culminar com o registro da candidatura dele no dia 15 de agosto, em Brasília. O senador Humberto Costa (PT), um dos maiores entusiastas da aliança com Câmara, não participou do encontro. Segundo sua assessoria de imprensa, ele teve “agenda parlamentar” em Brasília.

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“O PSB precisa de tempo para fazer uma construção política interna que não fragilize a legenda. Nós também temos um processo de construção das nossas decisões e obviamente que queremos sair fortalecidos. Se não der aliança, o que a gente sente, aqui temos nossa candidatura própria, vamos fazer campanha e defender Lula”, declarou a presidente do PT.

Com pouco tempo até as convenções, que devem acontecer de 20 de julho a 5 de agosto, segundo a legislação eleitoral, Gleisi recomendou que o diretório pernambucano se dedique a apresentar “de maneira mais rápida” os pré-candidatos a deputados estadual e federal.

Pelas contas do presidente estadual do PT, Bruno Ribeiro, cerca de 45 nomes estão colocados para disputar vagas nas duas casas - o partido não tem representante de Pernambuco na Câmara. “É preciso também fechar e apresentar o programa de governo. Se fizermos a aliança, vamos apresentar à coligação. Se não fizermos, vamos caminhar em cima dele”, disse.

Maior interessado na chapa com o PT, o governador do Estado e vice-presidente nacional do PSB, Paulo Câmara, volta a se encontrar com Gleisi nesta quinta-feira, 12, no Palácio do Campo das Princesas. De acordo com a vereadora do Recife e pré-candidata ao governo pernambucano, Marília Arraes, a conversa com Gleisi “foi muito tranquila”. Sobre a possibilidade de aliança com Câmara, Marília foi taxativa: “Eu não vou ser incoerente com o que eu defendo, ela sabe muito bem disso”.