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Vereador licenciado, Carlos Bolsonaro estava cotado para assumir a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. | Sergio Lima/AFP
Vereador licenciado, Carlos Bolsonaro estava cotado para assumir a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.| Foto: Sergio Lima/AFP

Considerado o responsável pela campanha de Jair Bolsonaro nas redes sociais, Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente eleito, anunciou na quinta-feira (22) que deixou a equipe de transição. 

A decisão teria ocorrido por desavenças com o futuro titular da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno. Vereador licenciado da Câmara do Rio, Carlos era cotado para assumir a Secretaria de Comunicação da Presidência.

Essa possibilidade foi comunicada pelo próprio Bebianno na quarta-feira (21), após ser confirmado no primeiro escalão do futuro governo. Segundo pessoas próximas ao filho do presidente eleito, a atitude de Bebianno foi vista como precipitada e como um “afago falso”.

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“Caráter não se negocia. Quando há compulsão por aparecer a qualquer custo, sempre tem algo por trás. Somos humanos e falhamos, mas a procura por holofote é um péssimo indicativo do que se pode esperar de um indivíduo. Jamais trairei meus ideais”, escreveu Carlos, que também informou que estava se afastando da gerência das contas das redes sociais do pai – tarefa que havia assumido há cerca de dez anos e que foi vista como fundamental para a vitória de Bolsonaro na disputa presidencial.

Risco de nepotismo

Após admitir que poderia nomear Carlos para o posto, Bolsonaro praticamente descartou essa possibilidade na quinta-feira. Segundo ele, o filho é uma pessoa “extremamente competente”, mas a nomeação poderia ser vista como nepotismo. “Nunca pratiquei isso, não me interessa fazer. A tendência é esse assunto morrer”, disse o presidente eleito.

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Assessores do gabinete de Carlos vinham estudando legislações brasileiras que tratam de nepotismo e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive a que analisou o caso do filho do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB). Um advogado também chegou a ser consultado pelo gabinete do vereador.

Em três semanas de transição, Bolsonaro não indica que vai abandonar o modelo de comunicação da campanha e ignora a estrutura convencional da Presidência da República. Ele costuma não dar ouvidos a auxiliares que recomendam a escolha imediata de um porta-voz e de um assessor de imprensa, dizem os aliados. O principal canal de informação continua sendo as redes sociais, principalmente o Twitter. Na noite de quinta, ele usou a plataforma para anunciar que o professor Ricardo Vélez Rodríguez será o futuro ministro da Educação. 

Conselheiro do pai

A expectativa entre auxiliares de Carlos Bolsonaro era de que ele se tornasse uma espécie de conselheiro do pai na área. Desde o início da campanha, porém, a aproximação de Bebianno com o então presidenciável do PSL virou uma questão negativa para o vereador. 

Ele achava que o advogado teria se aliado ao pai por interesses próprios e promoveu alianças que desaprovou. Entre elas estão a aproximação com o deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB), o senador Magno Malta (PR-ES) e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), anunciado como ministro da Casa Civil.

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Para um assessor próximo, “o copo estava na metade, encheu e transbordou”. Carlos, segundo interlocutores, teria se irritado com o fato de pessoas assumirem para si trabalhos na campanha que ele havia desenvolvido. Por isso ele resolveu tirar licença não remunerada da Câmara Municipal do Rio em agosto. Seu objetivo era renovar a licença até que as nomeações de cargos do governo fossem definidas.

No último dia 12, Carlos apresentou mais uma renovação no prazo de seu afastamento, mas o plano foi interrompido na quarta-feira. Por meio do Twitter, anunciou que vai voltar à Câmara na semana que vem.

Irritado, ele deixou Brasília na quarta e viajou para Santa Catarina, onde treinaria em um clube de tiro, um dos seus passatempos favoritos. Carlos deverá ficar no estado até o início da próxima semana, quando deve retornar aos trabalhos na Câmara do Rio, conforme assessores.

Aliados e familiares comentam que a única medida que faria Carlos mudar de ideia e retomar seu plano original de auxiliar o pai seria que Bolsonaro diminuísse o poder de Bebianno, o que parece improvável. Procurado, o futuro secretário-geral da Presidência não respondeu aos pedidos de entrevista.

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