| Foto: Reprodução

Uma perícia médica solicitada pela Justiça Federal aponta que Adélio Bispo de Oliveira, o autor da facada que quase matou o presidente Jair Bolsonaro, sofre de doença mental e não pode ser punido criminalmente. O atentado ocorreu em setembro do ano passado, em Juiz de Fora (MG).

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O laudo, obtido com exclusividade pela TV Globo, defende que Adélio é portador de “transtorno delirante permanente paranoide” e deve ser considerado inimputável, ou seja, não pode ser responsabilizado por seus atos. Entrevistado por psicólogos e psiquiatras, o agressor teria afirmado que não cumpriu sua missão e que ainda pretende “matar Bolsonaro”.

Adélio está preso desde o dia do crime e atualmente aguarda julgamento na penitenciária federal de Campo Grande (MS). Ele é réu na Justiça Federal pelo crime de atentado pessoal por inconformismo político, previsto na Lei de Segurança Nacional. Esse crime é punível com reclusão de 3 a 10 anos de reclusão, podendo ser aumentada até o dobro nesse caso, em razão da lesão corporal grave contra o presidente.

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O resultado do exame foi entregue à Justiça no mês passado. Se for mesmo considerado inimputável, o agressor confessor do presidente da República será tratado como um doente mental, passando a cumprir pena (medida de segurança) em um manicômio judicial por tempo indeterminado, mas não será tratado como um preso comum.

Uma audiência com a presença dos peritos para esclarecimentos sobre a constatação da doença deve ser realizado, mas ainda não há informações sobre a data.

Como foi o atentado

Na véspera do feriado de 7 de setembro do ano passado, o então candidato Jair Bolsonaro (PSL) participava de um ato público de campanha no centro de Juiz de Fora (MG), quando levou uma facada no abdômen.

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Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, ex-filiado do PSOL, usou uma faca comprida e pontiaguda para desferir um único golpe no momento em que Bolsonaro estava nos ombros de apoiadores. O presidenciável foi levado em situação crítica para a emergência da Santa Casa de Misericórdia, onde recebeu os primeiros socorros e passou ás pressas por uma cirurgia que salvou sua vida.

O agressor foi detido em flagrante por policiais federais que faziam a segurança de Bolsonaro ainda no local do crime, com a ajuda de populares. Levado para a Polícia Federal, foi interrogado por um delegado. Disse que agiu sozinho e que foi “guiado por Deus” para atentar contra a vida do candidato.

A Polícia Federal abriu dois inquéritos na ocasião. O primeiro concluiu que Adélio agiu sozinho no momento do ataque e originou a denúncia que o tornou réu na Justiça. O segundo buscou investigar se ele foi auxiliado por terceiros para praticar o crime, mas a PF concluiu que não há nenhum indício de um mandante ou da participação de outras pessoas.