O presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista para informar que seu exame para a Covid-19 deu positivo| Foto: Sérgio Lima/AFP
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O presidente Jair Bolsonaro confirmou, nesta terça-feira (7), que seu exame para a Covid-19 deu positivo. Embora já esteja fazendo um tratamento precoce para a doença, a rotina de Bolsonaro vai ser alterada nos próximos dias, começando pelo cancelamento de viagens, alguns compromissos já agendados e o isolamento no Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência.

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De acordo com Bolsonaro, ele começou a sentir certa indisposição no domingo (5), situação agravada ao longo da segunda-feira (6), quando teve mal-estar, cansaço, dor muscular e febre. Antes mesmo da confirmação do resultado do teste para o novo coronavírus, o presidente começou a tomar, por indicação médica, um composto com hidroxicloroquina e azitromicina como tratamento precoce.

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Como parte do tratamento da doença, é recomendado repouso. Mas Bolsonaro declarou que não sabe ficar parado e quer continuar trabalhando. “Estou sendo vigiado pela primeira-dama, que manda bastante. Vou ficar despachando por videoconferência e alguns papéis eu vou assinar aqui, não vou poder fugir a essa rotina”, comentou na entrevista em que anunciou estar com a doença.

Para esta terça, a agenda do presidente previa dois compromissos à tarde: reuniões por videoconferência com os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Jorge Antonio de Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência). Bolsonaro faria duas viagens esta semana: iria na sexta-feira (10) para a Bahia, junto com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e a Paracatu (MG) no sábado. Na Bahia, inaugurariam algumas obras. Em Minas Gerais, visitaria um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). As duas viagens foram canceladas.

A reportagem da Gazeta do Povo questionou a assessoria de imprensa do Planalto se havia mais alguma alteração dos compromissos de Bolsonaro ou adição de alguma rotina médica de cuidados, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

“Eu confesso que achava que já tinha pego [a Covid-19] lá atrás, tendo em vista minha atividade muito dinâmica perante a população. Eu sou o presidente da República e estou na frente de combate, não fujo à minha responsabilidade. Eu gosto de estar no meio do povo”, disse Bolsonaro durante a entrevista.

Comportamentos recentes de Bolsonaro agora devem ser evitados

O certo é que comportamentos recentes do presidente terão de mudar, apesar de ele ser avesso a protocolos e orientações que o desagradem. No sábado (4), Bolsonaro participou de um evento na residência do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, com outros ministros e o filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). O presidente e nenhum dos presentes usou máscara e se confraternizou com abraços, de acordo com fotos divulgadas pela Presidência da República.

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Na sexta-feira (3) houve um almoço no Palácio da Alvorada com ministros e empresários — também com apertos de mão, abraços e sem máscara.

No fim da tarde de segunda-feira (6), já sob suspeita de estar contaminado pelo coronavírus, Bolsonaro conversou com apoiadores na chegada ao Palácio da Alvorada. Usava máscara, mas o mais prudente naquele momento, diante da suspeita, era ter evitado esse contato mais próximo, inclusive com seguranças.

Por fim, nesta terça, o presidente da República deu entrevista frente a frente com repórteres para anunciar que tinha testado positivo para Covid-19, chegando a retirar a máscara em determinado momento.

Além de Bolsonaro: outros líderes mundiais já contraíram a Covid-19

Bolsonaro não é o primeiro líder a contrair a Covid-19. Já foram diagnosticados com a doença os presidentes de Honduras, Juan Orlando Hernández, e da Belarus, Aleksandr Lukashenko, o príncipe Albert de Mônaco e o príncipe Charles do Reino Unido. Além deles, os primeiros-ministros da Rússia, Mikhail Mishustin, e do Reino Unido, Boris Johnson, também tiveram a Covid-19.

Johnson foi o primeiro chefe de governo dentre as principais economias do mundo a testar positivo para a doença desde o início da pandemia, ainda no final de março. Inicialmente, o premiê teve um caso leve da doença e seguiu trabalhando normalmente. No entanto, seu quadro se agravou e ele chegou a ser internado na UTI. Johnson retomou as atividades de trabalho normalmente praticamente um mês após o diagnóstico da doença.

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]