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O deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) teria usado a influência do cargo parlamentar para transmitir a terceiros a percepção de que poderia atuar junto a ministros de tribunais superiores mediante pagamentos elevados, segundo a investigação da Polícia Federal que levou à terceira fase da Operação Transparência na manhã desta segunda-feira (14).
A suspeita consta da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão contra o deputado e a esposa, Valéria Rodrigues Linhares, no Distrito Federal e em São Paulo. A investigação aponta que Cezinha de Madureira teria negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos condicionado ao resultado de processos em andamento.
A Gazeta do Povo procurou, mais cedo, o deputado Cezinho de Madureira para se pronunciar sobre a operação e aguarda retorno.
Cezinha de Madureira é amigo e aliado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teria articulado um contato do magistrado com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A operação ocorre um dia antes do julgamento na Corte do relatório da Polícia Federal que apontou diálogos do empresário com Alexandre de Moraes -- Dino é aliado do ministro.
Segundo Dino, o parlamentar não teria habilitação para atuar como advogado, mas utilizaria a posição de deputado para criar essa percepção de influência sobre magistrados.
“Parece-me claro que os fatos investigados podem implicar, em tese, um deputado federal que não tem habilitação para atuar como advogado, mas aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de Tribunais Superiores”, escreveu o ministro na decisão a que a Gazeta do Povo teve acesso.
A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025 para apurar suspeitas de tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro de emendas parlamentares.
A partir de provas apreendidas, a Polícia Federal abriu uma nova linha de investigação para esclarecer a suposta existência de uma estrutura destinada à comercialização de influência sobre ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“A finalidade [da investigação] é elucidar a existência, a extensão e a estabilidade de estrutura destinada à comercialização de influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral”, afirmou Flávio Dino.
Os pagamentos, segundo a decisão, seriam formalizados por meio de contratos de honorários e cessões de crédito envolvendo advogadas ligadas ao deputado, entre elas a esposa, Valéria Rodrigues Linhares. A PF aponta uma divisão de tarefas entre os envolvidos, tendo Mariângela Fialek, responsável pelo setor responsável por direcionar emendas parlamentares na Câmara dos Deputados, por captar causas e produzido peças jurídicas.
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Estes clientes eram encaminhados a Valéria para a elaboração de contratos e cessões de créditos. Cezinha, por sua vez, teria realizado “despachos” e contatos com ministros, usando o trânsito institucional proporcionado pelo mandato. Dino, no entanto, ressalta que ministros e magistrados citados nas conversas não são investigados nem suspeitos de irregularidades.
“Não há, nos elementos reunidos, notícia de solicitação, de aceitação ou de recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário”, afirmou Dino.
Mensagens analisadas pelos investigadores registrariam expressões como “já falei”, “despachei sim” e “assunto reforçado agora” sobre os contatos. Os documentos também apontam valores vinculados a processos específicos, incluindo R$ 500 mil por uma decisão favorável em um caso e até R$ 2 milhões em outro, condicionados à revogação de prisão preventiva.
O ministro também destacou que receber advogados e parlamentares para audiências é uma atividade legítima. No entanto, o que se apura, disse, é a “mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou, e não o comportamento de quem foi apresentado a terceiros como influenciável”.
Outro elemento citado foi a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria no Aeroporto de Congonhas, em 25 de agosto de 2026. Para a PF, a movimentação poderia estar relacionada ao pagamento de honorários fora do sistema bancário e dificultar o rastreamento dos recursos.









