
A descoberta de uma proposta de venda de um imóvel de R$ 250 milhões em Trancoso, na Bahia, mudou os rumos da investigação sobre o Banco Master. O documento, enviado pelo deputado federal João Carlos Bacelar ao banqueiro Daniel Vorcaro, fez com que o caso fosse transferido para o STF.
Qual foi o elemento principal que levou o caso ao Supremo?
O ponto de virada foi a apreensão de um documento em um endereço ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Tratava-se de uma proposta de compra de um terreno em Trancoso, avaliado em R$ 250 milhões. Como os papéis estavam em uma pasta timbrada da Câmara dos Deputados e envolviam o deputado federal João Carlos Bacelar, a defesa de Vorcaro argumentou que apenas o Supremo Tribunal Federal teria competência para julgar o caso, devido ao foro privilegiado do parlamentar.
O negócio imobiliário em Trancoso chegou a ser concretizado?
Não. De acordo com os envolvidos, a negociação nunca avançou. O deputado João Carlos Bacelar afirmou que enviou os documentos porque o banqueiro demonstrou interesse no empreendimento, mas o negócio teria sido cancelado após o banco enfrentar dificuldades financeiras. A Polícia Federal chegou a destacar que essa transação imobiliária não tinha relação direta com o foco original da investigação, que apura supostas fraudes em vendas de carteiras de crédito.
Por que houve mudança no ministro relator do processo?
Inicialmente, o relator sorteado foi o ministro Dias Toffoli. No entanto, um relatório da Polícia Federal mencionou contatos anteriores entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro. Diante da polêmica e para evitar questionamentos sobre a imparcialidade do processo, Toffoli abriu mão da relatoria em fevereiro de 2026. Após um novo sorteio entre os ministros da Corte, o caso passou para as mãos do ministro André Mendonça.
O que mudou nas investigações após a entrada de André Mendonça?
O novo relator, André Mendonça, adotou medidas para dar celeridade ao processo. Ele reduziu o nível de sigilo e devolveu o protagonismo da perícia à Polícia Federal. Antes, o acesso às provas estava restrito a apenas quatro peritos escolhidos por Toffoli. Agora, um grupo maior de especialistas pode analisar milhares de documentos e cerca de cem aparelhos eletrônicos apreendidos, com o objetivo de concluir as apurações em um prazo de até 60 dias.
O caso 'Cine Trancoso' tem relação com esse imóvel de R$ 250 milhões?
É importante não confundir os fatos. O imóvel da negociação milionária que levou o caso ao STF é um terreno litorâneo em Porto Seguro. Já o escândalo batizado de 'Cine Trancoso' refere-se a supostas festas luxuosas promovidas por Vorcaro para autoridades do governo e do Judiciário em outra residência. Embora ambos envolvam o banqueiro e a mesma região da Bahia, são situações distintas dentro do amplo contexto de investigação que cerca o Banco Master.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









