Marcelo Crivella, prefeito do Rio.| Foto: Arquivo
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O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi alvo nesta quinta-feira (10) de uma operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e da Polícia Civil por suspeita de corrupção em contratos da prefeitura. A operação é um desdobramento da Operação Hades, deflagrada em março, que investiga um suposto "QG da Propina" na prefeitura.

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O MP-RJ e a Polícia Civil cumpriram mandatos de busca e apreensão na residência de Crivella, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e no Palácio da Cidade, uma das sedes da prefeitura. O telefone celular de Crivella foi apreendido na ação. Outros 20 endereços também são alvo dos mandados de busca e apreensão. A operação desta quinta não teve investigados presos.

A investigação teve como ponto de partida a delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso no âmbito da operação Câmbio Desligo, um dos desdobramentos da Lava Jato fluminense.

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Veio de Mizrahy a expressão "QG da Propina" para se referir ao esquema, que teria como operador Rafael Alves, homem forte da prefeitura, apesar de não ter cargo oficial. Um dos alvos da operação desta quinta, Rafael Alves é irmão do ex-presidente da Riotur Marcelo Alves – os dois foram os principais alvos dos mandados de março, e Marcelo foi exonerado logo depois.

O suposto QG funcionaria assim, de acordo com o delator: empresas interessadas em trabalhar para a prefeitura do Rio entregavam cheques a Rafael, que faria a ponte com a administração pública para encaminhar os contratos. O esquema também funcionaria no caso de empresas com as quais o município tinha dívidas – nesse caso, o operador mediaria o pagamento.

Além de Crivella e de Rafael Alves, também são investigados o ex-senador Eduardo Lopes e Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella para o Senado.

Eduardo Lopes era suplente de Crivella no Senado e se tornou senador quando o hoje prefeito assumiu o comando do município, em 2017. Lopes também foi secretário de Pecuária, Pesca e Abastecimento do governador afastado Wilson Witzel.

Macedo foi tesoureiro da campanha de Crivella ao Senado, em 2008. Ele foi citado em uma delação sobre o esquema de propina envolvendo a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado, a Fetranspor.

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Segundo informações do colunista do Lauro Jardim, do jornal O Globo, a operação contra Crivella também foi embasada na delação premiada de João Barreto, dono da Locanty, empresa do ramo de limpeza, conservação e coleta de lixo. Segundo reportagem de O Globo, Barreto teria montado uma rede de empresas em nome dos laranjas para esconder a condição de dono oculto das prestadoras de serviço favorecidas. Para garantir os desembolsos da prefeitura, João Barreto pagaria as propinas em cheque, entregues a Rafael Mizrtahy.

Crivella é 2.º candidato à prefeitura citado por corrupção

A operação contra Crivella, que é candidato à reeleição, acontece apenas dois dias depois do ex-prefeito Eduardo Paes, que também vai disputar a prefeitura, ter sido alvo de uma operação de combate à corrupção. Paes é investigado por supostamente ter recebido caixa 2 na campanha eleitoral de 2012.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]