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A campanha eleitoral de 2026 já começou a alterar a dinâmica do Congresso Nacional. Para evitar o esvaziamento das sessões e garantir a votação de projetos considerados prioritários, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acertaram um calendário de esforços concentrados no segundo semestre, concentrando as deliberações em poucas semanas e deixando os demais períodos livres para que deputados e senadores fiquem em seus estados.
A primeira janela de votações ocorrerá entre 11 e 13 de agosto, seguida por um segundo esforço concentrado entre 25 e 27 de agosto. A estratégia busca sincronizar Câmara e Senado para acelerar a tramitação de projetos e evitar que o avanço da campanha paralise os trabalhos legislativos.
Na pauta estão propostas como a PEC que reduz a jornada de trabalho na escala 6x1, a regulamentação dos trabalhadores por aplicativo, a ampliação do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), a renegociação de dívidas de produtores rurais e projetos de segurança pública.
Para parlamentares ouvidos pela reportagem, a tendência é que apenas propostas com maior grau de consenso ou em estágio mais avançado de tramitação tenham chances de avançar antes das eleições. Projetos com menor resistência política, como o aumento do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e parte da regulamentação dos trabalhadores por aplicativo, podem encontrar espaço nas semanas de esforço concentrado.
Já medidas de maior apelo eleitoral e forte polarização, como a PEC que reduz a jornada de trabalho na escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, tendem a depender de um amplo acordo entre governo, oposição e lideranças partidárias, o que reduz as chances de votação antes do pleito e pode adiar a discussão para o período pós-eleitoral.
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Ano eleitoral reduz espaço para pautas controversas
Para o diretor de operações do Ranking dos Políticos, Luan Sperandio, o próprio calendário definido pelas Mesas Diretoras evidencia que o Congresso já entrou em ritmo eleitoral.
Segundo ele, as semanas de esforço concentrado devem priorizar matérias que já contam com acordo entre as lideranças, como medidas provisórias com prazo de validade e projetos de amplo consenso.
Em contrapartida, propostas que envolvem maior desgaste político tendem a ser adiadas. Sperandio cita como exemplo a regulamentação do Imposto Seletivo, etapa prevista na reforma tributária. Embora exista prazo constitucional para sua aprovação, ele avalia que a proximidade das eleições reduz o interesse dos parlamentares em enfrentar temas que possam gerar desgaste com eleitores ou setores econômicos.
"O padrão que se repete em anos eleitorais deve se confirmar: sem consenso político amplo, dificilmente teremos grandes reformas estruturais ou temas mais sensíveis avançando no plenário", afirma.
Na avaliação do especialista, a lógica eleitoral também altera o perfil das votações. "O foco migra claramente para medidas de apelo eleitoral e para pautas de interesse regional. A prioridade número um de qualquer parlamentar em ano eleitoral é a própria reeleição, e isso molda o comportamento legislativo como um todo", diz.
Parlamentares divergem sobre prioridades, mas apontam influência das eleições
Entre os parlamentares, há consenso de que a disputa eleitoral influenciará a agenda do Congresso, embora cada um destaque prioridades diferentes.
Líder do Novo na Câmara, o deputado Gilson Marques (Novo-SC) afirma que pautas polêmicas tendem a perder espaço para evitar desgaste político.
"À medida que a eleição se aproxima, a prioridade de muitos parlamentares passa a ser a reeleição. A tendência é que avancem projetos de consenso, medidas de apelo popular e pautas de baixo impacto. Infelizmente, o foco deixa de ser o país e passa a ser o cálculo eleitoral", afirma.
O parlamentar também demonstra ceticismo em relação ao avanço de reformas estruturantes neste semestre. Segundo ele, a tendência é que prevaleçam projetos com maior retorno eleitoral e interesse regional.
Já o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) avalia que as discussões orçamentárias devem dominar os trabalhos do Congresso. Entre as prioridades, ele cita a análise de vetos ao Orçamento de 2026 e a tramitação da proposta orçamentária de 2027.
Para Heinze, temas de forte apelo popular, como o fim da escala 6x1, devem permanecer em debate, mas dificilmente serão votados ainda neste ano. Em contrapartida, acredita que propostas voltadas às demandas regionais terão maior espaço, especialmente as relacionadas à renegociação das dívidas dos produtores rurais do Rio Grande do Sul.
"O Rio Grande do Sul vive uma crise prolongada, e quem pretende representar os gaúchos tem que assumir o compromisso de defender essas pautas", enfatizou.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também reforça que nesse período eleitoral "a tendência é de paralisia geral" no Congresso. Segundo ele, "uma grande parte dos parlamentares prefere evitar pautas polêmicas ou que gerem desgaste".
Vice-líder da Minoria na Câmara, o deputado Coronel Meira (PL-PE) afirma que as lideranças já trabalham considerando um "recesso branco" durante a campanha. Segundo ele, há entendimento entre os líderes de que projetos mais controversos, como a PEC da Segurança Pública, devem ficar para depois das eleições.
Na avaliação do parlamentar pernambucano, o Congresso concentrará esforços em projetos com maior apelo social, que também possuem potencial de repercussão junto ao eleitorado, além da votação de medidas provisórias e das matérias orçamentárias que possuem prazo constitucional para apreciação.
Com isso, a estratégia construída pelas presidências da Câmara e do Senado busca preservar o funcionamento do Legislativo em um semestre tradicionalmente marcado pela redução do quórum, concentrando as votações em temas considerados viáveis politicamente e adiando para o período pós-eleitoral as discussões de maior custo político.









