Publicidade
Encontro

Ex-cunhado de Gilmar Mendes teve negócios com Vorcaro e ajudou banqueiro a chegar ao ministro

Chiquinho Feitosa é irmão de Guiomar Feitosa, ex-esposa do decano do Supremo.
Chiquinho Feitosa é irmão de Guiomar Feitosa, ex-esposa do decano do Supremo. (Foto: Gustavo Moreno/STF; Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Ouça este conteúdo

O ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos) é citado nas mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele é irmão de Guiomar Feitosa, ex-esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Feitosa tinha um contrato de R$ 500 mil por mês com a Super Empreendimentos, empresa da rede de Vorcaro sob suspeita de lavagem de dinheiro. Em 2 de outubro de 2024, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, enviou ao banqueiro uma lista de compromissos financeiros. Um dos itens dizia: “500K - F&A Super valor mensal (Chiquinho)”. Ao jornal Estado de São Paulo, o ex-parlamentar admitiu o negócio, mas disse que a contratação ocorreu por um "curto período de tempo" e que a empresa, na época, não era alvo de suspeitas.

De acordo com a Folha de São Paulo, o ex-dono do Banco Master chegou a se reunir com o decano do Supremo em 11 de abril de 2024. Na reunião, teria pedido um voto favorável a uma causa bilionária que o beneficiaria diretamente. Mensagens obtidas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, mostram Feitosa reforçando a necessidade de aproximação oito dias depois:

"Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo"

Chiquinho Feitosa a Vorcaro, sobre Gilmar Mendes

Por meio de nota (leia na íntegra ao final), Gilmar diz que a reunião ocorreu na presença de advogados do Master e detalhou os processos em que votou em sentido contrário aos interesses do banqueiro.

Descobertas aparecem em frente que investigou Ciro Nogueira

A menção aparece na frente que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), acusado de atuar em favor do Master no Congresso em troca de dinheiro, viagens internacionais e hospedagens em hotéis de luxo.

No dia 2 de janeiro de 2025 Zettel envia uma "Lista dos Pagamentos Pendentes". Nela, há a previsão de R$ 500 mil para "FA (Chiquinho)". Ele explica que, "como hoje virou o mês, várias começam a se repetir". Oito dias depois, Zettel manda uma nova lista. Nela há a menção a R$ 1,4 milhão para Ciro e R$ 1 milhão para "FA (Chiquinho) - Dez/Jan".

Feitosa consta nos sistemas do Senado como autor do Projeto de Lei Nº 412/2022, sobre a regulamentação do mercado de carbono, tema de interesse do banqueiro. O projeto saiu da casa de Ciro Nogueira, no Lago Sul, e chegou a Vorcaro por meio de seu motorista.

O material foi levado posteriormente a outro endereço. Quatro dias depois, dois documentos identificados como “PL 5174.2023” e “PL 412.2022” seriam entregues no Anexo I do Senado a Victor Freitas, assessor de Ciro. Eles estavam inicialmente em envelopes do Banco Master, e Vorcaro ordenou que fossem substituídos por envelopes brancos antes da entrega.

Naquele momento, porém, a matéria já havia sido remetida pelo Senado à Câmara dos Deputados, em 18 de outubro de 2023. Os documentos analisados até agora não esclarecem qual era a finalidade da circulação do material no mês seguinte nem apontam participação de Chiquinho nesse episódio.

A Gazeta do Povo tentou contato com Chiquinho Feitosa por meio de uma de suas empresas, a FF Participações, e de seu filho, Francisco Feitosa Filho. O espaço segue aberto para manifestação.

Leia a nota de Gilmar Mendes na íntegra

Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do Ministro. O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente.

A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do Ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado. O recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada pelo art. 7º, VIII, da Lei 8.906/1994. Na ocasião, tratou-se de causa do setor sucroalcooleiro — ARE 1327995, de relatoria do Ministro Edson Fachin, em que figura como recorrida a Destilaria Alcídia S/A.

Nesse processo, julgado pela Segunda Turma em 3 de junho de 2025, o Ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do Banco Master. O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União. Ficou vencido, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos Ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favorável à empresa.

O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma. No ARE 1312127 (Raízen), relatado pelo Ministro, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os Ministros Edson Fachin e Nunes Marques. No ARE 1392660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina — em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025 —, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. No ARE 1500251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na STP 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões.

Em nenhum desses processos o Ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem — inclusive após a audiência mencionada.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.