Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro, foi preso em Atibaia (SP): suspeito de comandar um esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.| Foto: Nelson Almeida/AFP
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O policial militar aposentado Fabrício Queiroz foi preso no início da manhã desta quinta-feira (18), em Atibaia, no interior de São Paulo, numa ação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público do Rio de Janeiro batizada de Operação Anjo. Ele é ex-assessor parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro.

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Fabrício Queiroz estava num imóvel do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, e não teria reagido. Segundo o delegado de polícia paulista Osvaldo Nico Gonçalves, o caseiro da residência falou que Queiroz estava lá havia um ano. Dois aparelhos de celular e documentos do ex-PM foram apreendidos no imóvel. O nome da operação faz referência a um suposto apelido de Wassef.

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A operação foi autorizada pelo juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Há ainda um mandado de prisão também contra a mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar. Além deles, a Operação Anjo mira o servidor da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Matheus Azeredo Coutinho, os ex-funcionários da casa Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins e o advogado Luis Gustavo Botto Maia.

Há também mandados de busca sendo cumpridos na capital fluminense. Um deles em uma casa no bairro de Bento Ribeiro, que consta na declaração de bens do então candidato presidencial Jair Bolsonaro à Justiça Eleitoral, em 2018. Quem mora nessa casa atualmente é Alessandra Marins, atual assessora do gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

O ex-assessor de Flávio Bolsonaro foi levado por um comboio policial para a capital paulista, onde fez exame de corpo delito. Ele está agora sob custódia no Palácio da Polícia. A expectativa é que seja transferido ainda nesta quinta para a cidade do Rio de Janeiro, onde prestará depoimento.

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Por que Fabrício Queiroz foi preso

A prisão de Fabrício Queiroz é desdobramento da investigação que apura um esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que é o desvio de dinheiro público por meio da devolução parcial de salário pelos assessores. Ele também é investigado por lavagem de dinheiro por meio da compra e venda de imóveis.

Queiroz é investigado pelo MP do Rio após um relatório do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado em dezembro de 2018, apontar movimentação atípica em sua conta de R$ 1,2 milhão. O relatório da Operação Furna da Onça arrastou o gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro para o centro de uma investigação do Ministério Público do Rio. Flávio Bolsonaro foi deputado estadual de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019.

Promotores apontam indícios de que uma organização criminosa foi montada no gabinete de Flávio, o filho "01" do presidente, para desviar dinheiro dos salários dos funcionários. O dinheiro teria sido lavado por meio da compra e da venda de pelo menos 19 imóveis no Rio.

Em abril de 2019, a Justiça do Rio de Janeiro determinou a quebra do sigilo fiscal e bancário de Fabrício Queiroz, do atual senador Flávio Bolsonaro, e de outras 84 pessoas e nove empresas entre 2007 e 2018.

Flávio diz que prisão de Queiroz é movimento para atacar Jair Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, se manifestou sobre a prisão de seu ex-assessor Fabrício Queiroz pelo Twitter.

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"Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro", escreveu Flávio. "Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!", completou.

O presidente Jair Bolsonaro não fez nenhuma comentário sobre o assunto até o momento. Ele não realizou a tradicional parada na saída do Palácio da Alvorada, nesta quinta, para cumprimentar apoiadores. Ele seguiu direto para o Palácio do Planalto, onde convocou uma reunião com o ministro da Justiça, André Mendonça.

Leia notas oficiais do Ministério Público sobre a prisão de Queiroz

Ministério Público de São Paulo:

Na manhã desta quinta-feira (18/6), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Civil efetuaram a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, na cidade de Atibaia. Ele foi encontrado pelo Gaeco, responsável pelos levantamentos no terreno e pela confirmação do alvo da operação, no escritório de um advogado que presta serviços ao parlamentar. Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça do Rio, a pedido do Grupo de Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público daquele Estado, que investiga a participação de Queiroz em um esquema desvio de vencimentos de servidores do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. A transferência para o Rio ocorrerá ainda hoje.

Ministério Público do Rio de Janeiro:

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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC/MPRJ) e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), e o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do (GAECO/MPSP), prenderam, nesta quinta-feira (18/06), Fabrício Queiroz. A Operação Anjo, deflagrada no início da manhã, cumpre ainda outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça relacionadas ao inquérito que investiga a chamada 'rachadinha', em que servidores da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) devolveriam parte dos seus vencimentos ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro. 

Contra outros suspeitos de participação no esquema, o MPRJ obteve na Justiça a decretação de medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, o comparecimento mensal em Juízo e a proibição de contato com testemunhas. São eles o servidor da Alerj Matheus Azeredo Coutinho; os ex-funcionários da casa legislativa Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins; e o advogado Luis Gustavo Botto Maia.