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Reação judicial

Família de Alexandre de Moraes move ação contra Alessandro Vieira por fala sobre PCC

Família de Alexandre de Moraes aciona Alessandro Vieira na Justiça por fala sobre PCC.
Família de Alexandre de Moraes aciona Alessandro Vieira na Justiça por fala sobre PCC. (Foto: Antônio Augusto/STF)

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A advogada Viviane Barci de Moraes e seus filhos, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, ingressaram na Justiça de São Paulo com uma ação por danos morais contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A ação movida pela esposa e os filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ocorre após declarações em que o senador mencionou a circulação de recursos envolvendo familiares do ministro Alexandre de Moraes no contexto de investigações sobre crime organizado.

Os autores pedem indenização de R$ 20 mil para cada um, alegando que tiveram honra e imagem atingidas.

De acordo com a petição inicial, a qual a Gazeta do Povo teve acesso, a controvérsia decorre de entrevista concedida por Vieira ao programa “Sala de Imprensa”, do SBT News, em 15 de março. Ao comentar dados da CPI do Crime Organizado, o senador citou a existência de “chegada de recursos do PCC” e mencionou “circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares” de ministros do Supremo, incluindo Moraes.

Os autores sustentam que houve associação indevida entre o escritório da família e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o que classificam como afirmação “fraudulenta” e difamatória. “O réu associou falsamente os autores à organização criminosa Primeiro Comando da Capital - PCC, ao sustentar a existência de circulação de recursos financeiros entre os familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e a citada facção criminosa. Em outras palavras, o réu afirmou, publicamente, que os autores teriam recebido valores provenientes do crime organizado, especificamente da facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC”, diz a petição.

Na ação, a esposa e os filhos de Moraes afirmam ainda que não são alvo de qualquer investigação e que as declarações extrapolaram os limites da liberdade de expressão, causando danos à reputação pessoal e profissional. 

O documento também questiona a aplicação da imunidade parlamentar, sob o argumento de que as falas foram feitas fora do exercício direto do mandato e sem relação com atividade legislativa. 

“A imunidade parlamentar não pode ser interpretada como salvo conduto para toda e qualquer manifestação proferida por parlamentares, especialmente em se tratando de afirmações fraudulentas, de cunho injurioso e difamatório, sem relação direta com o exercício do cargo parlamentar e proferidas fora do recinto parlamentar”, diz a petição dos familiares de Moraes.

Na ação, os familiares do ministro pedem a condenação do parlamentar com base em artigos  Código Civil que tratam da responsabilidade civil por atos ilícitos, e destacam que a imputação de vínculo com organização criminosa gera dano moral presumido, especialmente diante da repercussão pública do caso.

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Vieira nega associação e fala em “distorção” 

Em resposta, Vieira afirmou que suas declarações foram interpretadas de forma equivocada e negou ter associado diretamente o escritório da família de Moraes ao PCC. Segundo ele, sua fala se restringiu à descrição de movimentações financeiras sob investigação. 

“Eu não disse isso. Em nenhum momento, está gravado. O que eu disse, repito, é provado e confessado, é que eles receberam sim, cerca de R$ 80 milhões do Banco Master, que hoje nós sabemos, era um grupo criminoso”, declarou. 

O senador também afirmou que não apontou vínculo direto entre o escritório e a facção criminosa, e que a ação judicial não deve interferir em sua atuação parlamentar. “A intimidação, e a tentativa de tentar constranger por meio de processo não vai parar o nosso trabalho, que é um trabalho que é feito no interesse dos brasileiros que merecem viver num país onde a lei seja igual para todos”, disse.

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Atuação de Alessandro Vieira já foi alvo de reação de Gilmar Mendes

O atual episódio não é isolado. Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que Vieira já foi alvo de reação do ministro Gilmar Mendes após a atuação do senador como relator da CPI do Crime Organizado. Na ocasião, Mendes pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigação do parlamentar, depois que o relatório da comissão sugeriu o indiciamento de ministros do Supremo, incluindo o próprio Gilmar, além de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli .

A iniciativa foi interpretada por juristas como uma possível ingerência do Judiciário sobre o Legislativo, já que o relatório de CPI é considerado uma prerrogativa típica da atividade parlamentar. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que esse tipo de atuação estaria, em tese, protegido pela imunidade parlamentar e não poderia, por si só, motivar responsabilização penal.

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