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Durante sua manifestação ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o senador Flávio Bolsonaro defendeu o Pix como sistema soberano do Brasil, mas reconheceu que os governos petistas fizeram da corrupção uma regra na administração pública do país.
Pré-candidato à Presidência, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez acenos a Washington, alegando que o Brasil pode iniciar um novo capítulo em sua política externa após as eleições de 2026, ocasião em que enfrentará o presidente Lula (PT).
Flávio inicia sua manifestação lembrando que se reuniu com o presidente americano, Donald Trump, com o vice-presidente, JD Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, na Casa Branca, e que, na reunião, "transmitiu diretamente que a imposição de tarifas ao Brasil não atende aos melhores interesses dos Estados Unidos".
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Tarifa representaria benefício a Lula

Flávio pede que os Estados Unidos suspendam a aplicação da tarifa contra o Brasil e que abram uma negociação bilateral abrangente sobre as práticas consideradas desleais. De acordo com o senador, "as tarifas propostas recompensariam justamente os infratores que deveriam punir", uma vez que Lula faria uso eleitoral da sanção. O mesmo argumento aparece na manifestação do jornalista Paulo Figueiredo, que pede que, em vez disso, autoridades brasileiras como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes sejam sancionados pela Lei Magnitsky.
Após a primeira versão do tarifaço, que impôs a alíquota de 50% contra o Brasil, o Planalto passou a investir no discurso de soberania nacional. O slogan "união e reconstrução" foi substituído por "governo do Brasil, do lado do povo brasileiro". O PT também passou a imputar o apelido "Tariflávio" ao senador, argumentando que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria responsável pela medida contra o Brasil.
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Tarifas não alteram postura do STF
O senador argumenta aos americanos que a primeira imposição de tarifas não alterou "uma única decisão" do Supremo, citando como exemplo o fato de que "o processo judicial principal contra a oposição prosseguiu, e uma condenação foi proferida, com as tarifas em pleno vigor".
Jair Bolsonaro foi condenado em 11 de setembro de 2025. Já a sobretaxa esteve em vigor de 6 de agosto a 20 de novembro. Somente após negociações diretas entre os dois países é que houve um relaxamento. Agora, a ideia de Washington é utilizar a taxação para lidar tanto com o cenário judicial quanto com o Pix, considerado por financeiras americanas como desleal, uma vez que receberia tratamento privilegiado do Banco Central (BC).
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Tarifas trariam prejuízos aos EUA
Flávio lembra que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil, caso raro nas relações comerciais com o país. Com as tarifas, argumenta, o Planalto poderia acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, o cenário enfrentaria um risco de se inverter.
Dados do Ministério da Fazenda demonstram que o superávit dos EUA nas relações com a economia brasileira é de cerca de US$ 1,47 bilhão. Em outras palavras, os americanos vendem mais ao Brasil do que compram do nosso país. De janeiro a maio, as importações de produtos americanos totalizaram US$ 15,48 bilhões, enquanto as exportações para o país atingiram US$ 14,01 bilhões.
"Os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro direto no Brasil. As multinacionais americanas já instaladas no país — e não o Estado brasileiro — são as primeiras a absorver os danos decorrentes da deterioração das relações bilaterais", diz a manifestação de Flávio.
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Flávio cita atuação contra Big Techs e fala em possibilidade de cenário diferente após as eleições
Para falar sobre censura, o comentário cita o artigo 19 do Marco Civil da Internet. Flávio aponta que a derrubada da regra que exige ordem judicial para remoção de conteúdos ocorreu não por uma alteração na lei, mas por uma decisão no STF derrubando esse trecho, além de decretos de Lula que endurecem o cerco às Big Techs.
O senador utiliza as eleições para reforçar a ideia de que o cenário pode mudar, com uma derrubada dos decretos e a responsabilização dos ministros envolvidos nas ordens apontadas como censoras.
"As eleições brasileiras de outubro abrem um caminho claro para essa correção. O presidente pode e deve revogar os recentes decretos que endureceram as restrições à liberdade de expressão; um Congresso recém-eleito — ambas as casas são renovadas nesta votação — pode restaurar por meio de lei as proteções que a reinterpretação judicial esvaziou; e os responsáveis podem ser responsabilizados pelos próprios canais institucionais do Brasil", afirma.
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Pix seria "uma das marcas registradas" do governo Bolsonaro; Flávio compara sistema ao FedNow
O ponto mais controverso do relatório da USTR é a crítica ao Pix, apontado como desleal por parte de empresas de cartões de crédito. Ao prover um mecanismo gratuito, o BC estaria retirando espaço dessas empresas, por meio de um sistema próprio e concorrente delas.
Flávio contesta. Para ele, o sistema de pagamentos não é um concorrente, mas uma "infraestrutura soberana". O senador lembra que o Federal Reserve, equivalente ao BC nos Estados Unidos, opera o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos que opera 24 horas por dia.
Há, porém, diferenças. O FedNow tem taxas para os bancos, que podem escolher repassar o custo aos clientes. Não há a obrigação de que as instituições disponibilizem a ferramenta e a identificação das contas é feita por seus números, e não por meio de chaves.
De acordo com o site oficial da plataforma, já há mais de 1.700 instituições financeiras conectadas, com suporte tanto para pessoas quanto para empresas.
"O Pix é uma das marcas registradas do governo Jair Bolsonaro, um avanço tecnológico que transforma instrumentos de controle corporativo sobre a vida econômica dos indivíduos em puro poder empreendedor transformador — uma visão e um princípio que o movimento representado pelo comentarista compartilha com o presidente Trump", alega o senador.
A solução, para o senador, é um "compromisso legislativo" de que o Pix não irá participar de "acordos de liquidação transfronteiriços não ocidentais".
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Brasil busca se libertar das "amarras do Mercosul"; Flávio cita Milei como exemplo

Flávio concorda com a posição americana de que o Brasil alimenta tarifas injustas, mas atribui os problemas de negociação por justiça tributária ao Mercosul. Para ele, há a necessidade de fortalecer as tratativas bilaterais, nos moldes do que vem fazendo o presidente argentino, Javier Milei.
Para Milei, o Mercosul atua para enriquecer a indústria brasileira e empobrecer a argentina. A saída do bloco, nesse sentido, abriria margem para um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Em fevereiro, os países assinaram um Acordo de Comércio e Investimento Recíproco, já abrindo margem para uma negociação mais abrangente.
O acordo é mencionado como "um precedente útil que o comentarista se compromete a examinar e seguir". Flávio alega que "o Brasil busca maneiras de se libertar das amarras do Mercosul que impediram governos anteriores de realizar tais negociações com os Estados Unidos".
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Corrupção não é traço nacional, mas herança da hegemonia petista no poder
Ao tratar de corrupção, Flávio reconhece que o Brasil enfrenta problemas, mas nega que os crimes contra a administração pública sejam um problema incorrigível. Para ele, tanto as fraudes em descontos associativos quanto o caso Master, associados ao Mensalão e às descobertas da Lava Jato, por terem ocorrido durante os governos petistas, demonstrariam a real origem do problema.
"Os sucessivos governos do Partido dos Trabalhadores produziram mais do que esquemas isolados de corrupção; eles consolidaram um modus operandi corrupto que previsivelmente gera escândalos de grande escala", afirma.
Flávio sustenta que "uma tarifa não reconstrói a independência do Ministério Público e não devolve nada ao pensionista lesado". Para lidar com a corrupção, ele faz novos acenos eleitorais: diz que, durante o governo Bolsonaro, não foi registrado "nenhum esquema sistêmico de corrupção de escala comparável" e se compromete a "fortalecer o combate ao crime em todas as suas formas e restaurar o Estado de Direito, o que envolve o combate à lavagem de dinheiro e à infiltração de instituições".




