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Sicobe

Fux critica Receita por ampliar fiscalização do Pix e relaxar controle sobre setor de bebidas

Autor do voto divergente, ministro viu julgamento ser suspenso logo em seguida por pedido de vista de Flávio Dino.
Autor do voto divergente, ministro viu julgamento ser suspenso logo em seguida por pedido de vista de Flávio Dino. (Foto: Alejandro Zambrana/STF)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux usou um voto divergente aos dos ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes para criticar a priorização da fiscalização pela Receita Federal. O ministro apontou para a ampliação do monitoramento do Pix para se posicionar favoravelmente à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de reativar o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe).

"A intensificação dos esforços de fiscalização sobre os contribuintes
dotados de menor capacidade contributiva, ao mesmo tempo em que [...] isenta-se importante setor econômico da adequada fiscalização, constitui medida flagrantemente contrária à justiça tributária", pontuou.

Flávio Dino suspendeu o julgamento após o voto contrário ao governo. O próprio voto de Fux também ocorre após um pedido de vista. Para o magistrado, a extinção do Sicobe, em dezembro de 2016, "pode ter contribuído para o aumento de sonegação e falsificação de bebidas no Brasil".

A disputa ocorre quase um ano após o que ficou conhecido como crise do metanol, uma série de casos graves de intoxicação decorrente de bebidas alcoólicas adulteradas. O órgão apontou uma série de fragilidades na forma como o Executivo federal lida com o tema, como falta de integração entre sistemas e lacunas na rastreabilidade dos lotes por meio da nota fiscal.

Relator e autor da liminar que cassou os acórdãos, Zanin, entendeu que a Receita Federal tem autonomia para decidir sobre os mecanismos que adota para lidar com irregularidades no controle de bebidas. O magistrado considerou que a decisão pelo fim do sistema ocorreu "com motivação concreta, idônea e amparo legal". Moraes acompanhou o voto.

Nos autos, a União argumentou que o Sicobe é "tecnicamente obsoleto" e "eivado de falhas de segurança". O Executivo ainda admite que a extinção possui também intenção fiscal, uma vez que o sistema gera uma renúncia de receita de R$ 1,8 bilhão por meio do benefício fiscal dado aos fabricantes para compensar o custo de instalação dos contadores de produção na cadeia de bebidas.

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