O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reiterou o apoio do Brasil à denúncia da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), nesta terça-feira (23), e falou em "erguer a voz" contra o risco de genocídio. Vieira falou sobre o tema após reunião bilateral com a chanceler da África do Sul, Naledi Pandor, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

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"Apoiamos, em consonância com o nosso tradicional compromisso com o direito internacional, o processo instaurado na Corte Internacional de Justiça (CIJ), pela África do Sul, sobre a aplicação da convenção para a repressão e punição do crime de genocídio. Saudamos as medidas provisórias anunciadas pela corte que devem ser pronta e integralmente cumpridas. É nosso dever cobrar e erguer nossa voz contra o risco de genocídio", disse o chanceler brasileiro.

O Brasil foi um dos países que apoiou a denúncia da África do Sul na CIJ contra Israel. O país sul-africano acusa o governo israelense de cometer suposto genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza, devido à contraofensiva ao grupo terrorista Hamas. Foram eles que deram início a uma guerra contra Israel em 7 de outubro de 2023.

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Mauro Vieira também afirmou que o Brasil tem redobrado os esforços em "busca por uma solução justa e duradoura para o conflito prolongado entre Israel e Palestina".

A chanceler sul-africana, por outro lado, agradeceu o apoio do Brasil à denúncia e foi mais incisiva nas críticas sobre a situação na Faixa de Gaza.

"Os recentes acontecimentos em Gaza e a ocupação dos territórios palestinos são uma terrível macha para a história da humanidade [...] Não pode ser que nós, como seres humanos, assistamos ao genocídio em curso em uma parte do mundo e que essas pessoas não tenham apoio para se defender", afirmou.

"Portanto, eu realmente aprecio a postura progressiva do Brasil e da África do Sul e acredito que devemos intensificar nossos esforços para garantir que levaremos a paz para o Oriente Médio", disse Pandor.

A chanceler também agradeceu a "liderança" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao demonstrar apoio à causa palestina.

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A chanceler da África do Sul veio ao Brasil para fechar uma série de acordo com o países. Os dois países assinaram memorandos na área da educação, ciência, tecnologia e também sobre maior troca na academia diplomática dos dois países.

O que Israel diz sobre a denúncia da África do Sul

A denúncia da África do Sul contra Israel foi apresentada em dezembro do ano passado. À época, Israel condenou e rejeitou a denúncia de genocídio em Gaza apresentada perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ).

“Israel rejeita com repugnância a calúnia espalhada pela África do Sul e sua denúncia” perante a CIJ, porque “carece de uma base factual e jurídica e constitui um uso desprezível e desdenhoso do tribunal”, disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel em um comunicado.

Também afirmou que a “África do Sul está cooperando” com o Hamas, “um grupo terrorista que pede a destruição do Estado de Israel” e comete “crimes de guerra” e “contra a humanidade”, e que “tentou cometer um genocídio em 7 de outubro”, quando realizou um ataque surpresa a Israel.

Israel salientou ainda que o Hamas é “responsável pelo sofrimento dos palestinos em Gaza, usando-os como escudos humanos e roubando-lhes ajuda humanitária”, e destacou que as autoridades israelenses “estão comprometidas com o direito internacional e agem de acordo com isso”.

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Lula comparou ataques de Israel na Faixa de Gaza às mortes de judeus no Holocausto

Em uma declaração contra Israel em fevereiro deste ano, Lula comparou os ataques do país ao grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza ao Holocausto, política de extermínio de judeus implementada pelo ditador alemão Adolf Hitler.

“O que está acontecendo na Faixa Gaza não existe em nenhum outro momento histórico, aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, afirmou o mandatário brasileiro, em 18 de fevereiro de 2024, durante a Cúpula da União Africana, na Etiópia.

Após o episódio, Lula (PT) foi declarado persona non grata em Israel. “A comparação do presidente brasileiro, Lula, entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que exterminaram 6 milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto. Não perdoaremos e não esqueceremos. Em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma personalidade indesejável em Israel até que ele peça desculpas e se retrate de suas palavras”, informou o chanceler israelense, Israel Katz.

*Com informações da Agência EFE.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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