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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça citou o caso envolvendo a compra de um terno, utilizado para questionar sua atuação no caso Master. O site ICL Notícias divulgou mensagens em que o advogado Ciro Soares dizia a Daniel Vorcaro ter levado André Mendonça a uma alfaiataria de luxo para fazer um terno. Em sua defesa, o ministro apresentou documentos para comprovar que pagou com seus próprios recursos.
"Eu mesmo fui surpreendido, no curso dessas questões, com um advogado vendendo influência porque eu tinha ido comprar um terno. Eu tive que apresentar a nota fiscal, tive que apresentar a minha fatura de cartão de crédito de dois anos atrás, que tive que procurar, para dizer: não, [fui] eu que paguei minha roupa", abordou.
A fala foi utilizada para argumentar que foi necessário apurar qual seria o destinatário das mensagens de Daniel Vorcaro com menções a Paulo Gonet, uma vez que o procurador-geral da República também só pode ter sua conduta apurada criminalmente em plenário.
Mendonça defendeu que seguiu todos os precedentes e afirmou que o aprofundamento foi necessário para se entender o contexto das conversas, uma vez que, caso tivessem sido dirigidas a um advogado, seriam comuns.
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Sessão foi convocada para debater Moraes, mas acabou focando em Fachin
A sessão extraordinária desta terça-feira (15) foi convocada com um único processo em pauta: a Pet 16.662, em que está o relatório sobre as relações entre Moraes e Vorcaro, incluindo mensagens que a Polícia Federal (PF) atribui ao banqueiro e afirma terem sido enviadas ao ministro, contratos com o escritório Barci de Moraes e registros de reuniões.
Diante da crise, Fachin tomou uma série de medidas sobre processos sensíveis. Primeiro, retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que tramita desde 2019 e é alvo de críticas de juristas, e determinou a devolução à Presidência dos procedimentos vinculados. Depois, determinou que processos relacionados ao caso Master e às fraudes no INSS fossem remetidos à Presidência. Fachin também assumiu formalmente a relatoria da Pet 16.662, que é julgada nesta terça-feira.
Diante disso, o ministro Flávio Dino encabeçou um pedido para que Fachin abrisse mão das relatorias e remetesse a sorteio os casos. Ele chegou a defender que Mendonça deveria seguir como relator dos dois processos que foram capturados.
A questão de ordem foi direcionada ao ministro Gilmar Mendes. Dino argumentou que o decano seria o próximo na linha sucessória, uma vez que Fachin está envolvido na discussão e Moraes, o vice-presidente, é parte no processo.
Na abertura da segunda parte, o presidente se manifestou contra uma mudança. Para ele, a relatoria é legítima e o caso deve continuar a ser julgado em seu enfoque principal.
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Mensagens indicam obtenção de informações; Gonet alega "dupla nulidade
As mensagens de Vorcaro mostram pedidos para “bloquear” e “afastar todo mal”. Em 15 de novembro de 2025, o banqueiro envia uma mensagem em que questiona se deveria “estar fora” até a segunda-feira seguinte, dia em que acabou preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Vorcaro pergunta ainda se seria “aquele mesmo juiz Ricardo”. O magistrado que expediu seu mandado de prisão foi Ricardo Augusto Soares Leite, titular da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.
Também mencionado nas mensagens, Gonet participa da sessão como procurador-geral da República. Em parecer, ele alegou haver uma “dupla nulidade” na investigação: Mendonça não poderia assumir funções próprias da investigação e somente o Plenário poderia autorizar medidas investigativas contra um integrante do STF.
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Nunes Marques e Toffoli não julgarão
O ministro Nunes Marques se declarou impedido. Mensagens analisadas pela PF associam o nome de seu filho, Kevin Marques, a uma referência de R$ 500 mil mensais. O ministro negou que o filho tenha prestado serviços ou recebido dinheiro do Banco Master e afirmou que jamais atuou em benefício de Vorcaro em seus julgamentos. Ao justificar o impedimento, porém, citou sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o potencial impacto político-eleitoral da decisão.
Já Dias Toffoli adotou outro mecanismo e se declarou suspeito por motivo de foro íntimo. O ministro recordou que já havia se afastado dos processos relacionados ao caso Master e afirmou que seria coerente não participar da atual deliberação, para evitar constrangimento ao tribunal.




