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Caso Flávio Dino

Moraes defende investigação contra jornalista e diz que sua turma no STF julgará recursos

Alexandre de Moraes STF
"Não confundamos jornalistas investigativos com jornalistas investigados pelas práticas criminosas", disse Alexandre de Moraes sobre jornalista que publicou reportagens sobre Flávio Dino no Maranhão (Foto: Luiz Silveira/STF)

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O ministro Alexandre de Moraes rebateu, nesta quinta-feira (13), críticas à investigação que conduz contra o jornalista Luís Pablo, que publicou reportagens sobre uso de veículo oficial por Flávio Dino no Maranhão, e afirmou que eventuais recursos contra suas decisões serão julgadas na Primeira Turma do STF, formada por ele, Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Antes, na sessão do plenário, o presidente do STF, Edson Fachin, defendeu a liberdade de imprensa e indicou a disposição de julgar as decisões de Moraes no plenário da Corte, composta por todos os ministros.

Como presidente do STF, Fachin tem a prerrogativa de pautar os julgamentos no plenário. Na sessão, ele afirmou que "adotará as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige".

Ao defender a investigação e seus atos no caso, Moraes afirmou que as decisões colegiadas caberão à Primeira Turma, atualmente presidida por Flávio Dino. Nessa situação, caberia a ele e não a Fachin marcar o julgamento de eventuais recursos contra as decisões de Moraes.

A investigação conduzida por Moraes contra Luís Pablo recolocou o STF no centro de uma nova crise. Nesta semana, o ministro autorizou uma busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, um ex-secretário do governo do Maranhão e adversário político de Dino no estado. A Polícia Federal o aponta como a fonte das informações publicadas pelo jornalista.

Entidades do setor, grandes jornais, políticos e juristas criticaram as decisões de Moraes, por risco à liberdade de imprensa e quebra do sigilo da fonte, garantia constitucional dos jornalistas.

O artigo 5º, inciso XIV, da Constituição diz que que o sigilo da fonte é resguardado quando necessário para o exercício profissional do jornalismo. O objetivo é assegurar a todos o acesso à informação de interesse público. Com o sigilo da fonte, a ideia é impedir o Estado de descobrir e intimidar quem passa informações sensíveis para a imprensa.

As reportagens sobre Dino foram publicadas no blog de Luís Pablo no ano passado e mostravam fotos e vídeos de Dino e sua família circulando num carro oficial do Tribunal de Justiça estadual – o ministro nega uso irregular, e cita uma parceria com a segurança do STF.

A PF imputa a Luís Pablo o crime de perseguição, que consiste em “perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.

Em abril, Moraes determinou busca e apreensão na casa do jornalista, e com base em mensagens de celular, a PF chegou a Raimundo Cutrim, como possível fonte de Luís Pablo.

Dino diz que é alvo constante de ameaças e agressões e que foi monitorado de forma ilegal e clandestina, colocando em risco sua família, incluindo crianças.

Moraes diz que sigilo de fonte não pode ser "escudo protetivo" para atividade ilícitas

Ao defender a investigação, na sessão do STF, Moraes afirmou que a segurança de Dino “foi colocada em risco real por uma associação criminosa”. Disse ainda que a investigação apontou que Luís Pablo teria recebido dinheiro para publicar as reportagens – o jornalista nega.

Argumentou depois que, como Luís Pablo teria cometido um crime, o sigilo da fonte não poderia ser invocado para blindá-lo de investigações.

“Sigilo de fonte, que é uma garantia constitucional, consagrada por essa Suprema Corte, mas que nunca se confundiu e jamais se confundirá, como escudo protetivo para prática de atividades ilícitas. Sigilo da fonte, que é uma garantia essencial para a defesa da democracia, e não um instrumento oculto para associações criminosas praticarem impunemente diversas infrações penais”, afirmou Moraes.

“Não confundamos jornalistas investigativos com jornalistas investigados pelas práticas criminosas. O Supremo Tribunal Federal continuará a garantir todos os direitos constitucionalmente consagrados à imprensa e seus profissionais”, completou.

Na mesma sessão, Dino agradeceu a Fachin pelo pronunciamento em seu apoio e também defendeu a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte.

“Agradeço a manifestação de Vossa Excelência, que repõe os fatos nos dois trilhos adequados. O primeiro é aquele relativo à legítima investigação de hipotéticos crimes. O outro é a proteção que existe e sempre existirá ao regular exercício da profissão. E não, obviamente, a eventuais coautorias de delitos”, disse.

Fachin disse que STF vai deliberar sobre o caso

Na abertura da sessão, Fachin afirmou que “adotará as providências regimentais cabíveis” para deliberar sobre o caso e também sobre “o destino e a duração de investigações”, numa possível referência ao inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ofensas e ameaças aos ministros.

"A Presidência tem a convicção de que a força do Tribunal reside em sua colegialidade, a melhor expressão de solidariedade a seus membros, seja confirmando decisões monocráticas, seja deliberando sobre o destino e a duração de investigações. A Presidência adotará as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige", afirmou Fachin no início da sessão.

A investigação contra o jornalista Luís Pablo, que publicou as reportagens sobre Dino, é conduzida por Alexandre de Mores por conexão com o inquérito das fake news, relatado por ele. Os procedimentos tramitam em sigilo no STF.

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