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Judiciário

Moraes nega pedido da DPU para adiar julgamento de Eduardo Bolsonaro

Alexandre de Moraes
Ministro do STF rebateu alegação de que julgamento poderia ser prejudicado pela falta de um ministro no colegiado. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) para adiar o julgamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suposta tentativa de interferência no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A análise do caso está marcada para esta terça-feira (16) na Primeira Turma da Corte.

A DPU, responsável pela defesa de Eduardo Bolsonaro após o ex-parlamentar não indicar advogado nos autos, solicitou o adiamento da sessão e também a convocação de um ministro da Segunda Turma para ocupar a vaga atualmente aberta na composição do colegiado. Moraes rejeitou os dois pedidos e afirmou que o julgamento pode ocorrer normalmente com os quatro ministros que integram a Primeira Turma.

“Considerando que a composição atual da Primeira Turma possui 4 (quatro) Ministros, estando, no mínimo, 3 (três) Ministros presentes na sessão de julgamento, o quórum está plenamente preenchido, em atenção à previsão regimental”, disse o ministro na decisão.

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Moraes também afirmou que o entendimento do Supremo é consolidado no sentido de que a ausência de um integrante do colegiado não impede a realização de julgamentos. Para o ministro, não existe qualquer irregularidade na continuidade da ação penal com a composição atual da Turma.

“A jurisprudência desta Suprema Corte é pacífica no sentido de que a ausência de um integrante no colegiado não impede o julgamento pela Turmas ou pelo Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, completou.

A Primeira Turma do STF é composta atualmente pelos ministros Flávio Dino, que preside o colegiado, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e o próprio Moraes. Já o quinto integrante, Luiz Fux, pediu transferência para a Segunda Turma no ano passado após o julgamento de Bolsonaro.

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Ao rebater os argumentos apresentados pela defesa pública, Moraes também declarou que "não há, portanto, qualquer violação aos princípios do Juiz Natural e da colegialidade no julgamento da presente ação penal". Ele acrescentou que todos os procedimentos adotados seguem as normas constitucionais, regimentais e processuais aplicáveis ao caso.

O ministro afastou, na decisão, a alegação de prejuízo à defesa em razão da cadeira vaga no colegiado. Segundo o ministro, a legislação penal prevê que eventuais empates em julgamentos criminais favorecem o réu, o que, em sua avaliação, elimina qualquer risco de desequilíbrio processual.

Eduardo Bolsonaro responde à ação por suposta coação no curso do processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-deputado teria atuado junto ao governo dos Estados Unidos para buscar sanções contra ministros do Supremo com o objetivo de dificultar o andamento do julgamento.

Morando nos Estados Unidos desde o início de 2025, Eduardo Bolsonaro já declarou publicamente em diversas ocasiões que atuou em favor de medidas e sanções contra autoridades brasileiras. Entre as iniciativas defendidas por ele esteve a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes.

Em nota, a Defensoria Pública da União informou que o pedido ocorreu por “cautela institucional” e por “observância às garantias processuais aplicáveis”.

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