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O ministro da Defesa, José Múcio, se reuniu nesta terça-feira (5) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em um movimento para distensionar a relação entre o governo e o Legislativo após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao jornal O Globo, Múcio confirmou o encontro e disse que “não é hora” de apresentar um novo indicado. O advogado-geral da União precisava de 41 votos favoráveis para chegar à Corte, mas conseguiu apenas 34, em uma derrota histórica para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Estive com Alcolumbre sim, ontem [terça, 5]. Meu papel foi de averiguar a temperatura. O momento é de apaziguar. Não é hora de apresentar nova indicação, nada, é deixar decantar. Ele vai encontrar Lula, sim, mais para frente, afirmou o ministro.
Múcio acompanhou Messias durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu que sua relação com Alcolumbre está estremecida.
O senador afirmou que “muita gente sorrateiramente trabalhou por debaixo do pano” contra o indicado de Lula.
"As pessoas não estavam a fim de saber se ele estava preparado ou não. Estavam a fim de dar uma cacetada no presidente e usaram o Jorge Messias. Tentaram jogar em cima de mim, trabalhei o tempo todo", criticou Wagner, em entrevista ao jornal Bahia Notícias durante agenda na China.
Nesta segunda (4), a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) comparou a atuação do presidente do Senado a de um “líder partidário”. Em entrevista à GloboNews, ela alertou que a gestão petista precisa definir quem são seus verdadeiros aliados para não chegar na disputa eleitoral com “o inimigo dentro de casa”.
Alcolumbre elogia ministro das Relações Institucionais
Mais cedo, Alcolumbre elogiou o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante a comemoração dos 200 anos da Câmara dos Deputados. O presidente do Senado disse que o Guimarães representa “a relação verdadeira e honesta do Parlamento com o governo”.
Após a derrota, Messias disse ter sido alvo de uma campanha de desgastes nos últimos cinco meses e que o governo sabe quem foi o responsável por essa articulação.
“Passei por cinco meses de desconstrução da minha imagem, toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso”, afirmou.
Na ocasião, Guimarães disse que a indicação preencheu todos os requisitos constitucionais necessários e cobrou uma explicação do Senado. "Cabe agora ao Senado explicar as razões dessa desaprovação e nós, evidentemente, aceitarmos o resultado com a maior serenidade possível", afirmou o chefe da SRI.








