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Para entender

Nikolas Ferreira descarta intimidade com empresário acusado de fraude

Deputado mineiro reagiu a denúncia de que teria pedido ajuda ao dono do Master para um amigo. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Nikolas Ferreira admitiu ter trocado mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em março de 2025, mas negou qualquer vínculo de amizade ou negócios com o empresário. Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é acusado de liderar um grande esquema de fraude financeira no Brasil. O parlamentar alegou que apenas tentou ajudar um antigo assessor a resolver pendências técnicas de minério.

Qual é a origem das mensagens entre o deputado e o empresário?

As mensagens, que vieram a público recentemente, mostram Nikolas Ferreira tratando Daniel Vorcaro com certa informalidade, chamando-o pelo apelido. No áudio enviado em março de 2025, o parlamentar solicita o apoio do banqueiro para destravar um processo administrativo sobre ativos de minério em nome de Thiago Rodrigues de Faria, que já foi seu assessor de gabinete. Embora use um tom amigável, o deputado enfatizou que não possuía a proximidade que gostaria de ter para trocar ideias, tratando o contato como uma ponte casual para ajudar uma pessoa de sua total confiança na época.

Como Nikolas Ferreira explica sua relação com Daniel Vorcaro?

O deputado reconheceu que os áudios são reais, mas classificou o conteúdo como irrelevante e negou qualquer tipo de benefício recebido. Ele afirmou publicamente que nunca se reuniu formalmente com Vorcaro, não possui contratos com as empresas dele e jamais recebeu cartões de crédito ou valores financeiros do Banco Master. Para Nikolas, a divulgação dessas conversas antigas é uma tentativa de criar uma narrativa negativa, especialmente por terem surgido logo após ele publicar críticas e dossiês contra autoridades do Supremo Tribunal Federal, o que ele vê como retaliação política.

Houve o uso de aviões particulares durante a campanha eleitoral?

Existem investigações da Polícia Federal que apontam que Nikolas Ferreira utilizou jatinhos ligados a Daniel Vorcaro por cerca de dez dias durante a campanha de 2022, quando viajava em apoio a Jair Bolsonaro. Na época em que esses dados vazaram, o parlamentar ironizou as acusações, dizendo que não tinha como prever atos futuros de donos de aeronaves ou de motoristas de aplicativos. Ele defendeu que entrar em um avião não o torna cúmplice de crimes cometidos pelo proprietário, comparando a situação ao uso cotidiano de serviços de transporte onde não se checa o histórico do prestador.

O que aconteceu com as denúncias sobre o uso desses jatinhos?

O caso chegou ao Tribunal de Contas da União, o TCU, por meio de uma representação feita pelo Ministério Público, que suspeitava do uso indevido de recursos públicos para custear esses voos particulares. No entanto, os ministros do tribunal decidiram arquivar o processo por falta de provas de irregularidades administrativas diretas. O desdobramento da denúncia foi encaminhado para a Justiça Eleitoral, onde deve ser analisado sob a ótica de possíveis doações de campanha não declaradas ou outras falhas nas normas de eleição, mas ainda não há novas decisões definitivas sobre o tema.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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