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Olimpíada de Tóquio: o que será feito para evitar que atletas voltem ao Brasil com novas cepas da Covid
Atletas brasileiros com o mascote to time olímpico: testagens diárias e quarentena no Japão para quem testar positivo para Covid.| Foto: Alexandre Loureiro/COB

A Olimpíada de Tóquio, que começa oficialmente na sexta-feira (23), vai reunir 11 mil atletas do mundo inteiro, dos quais 302 são brasileiros. Eles, juntamente com integrantes das equipes técnicas e jornalistas, vão conviver em espaços compartilhados da Vila Olímpica e dos locais de competição. E isso desde já acende o alerta: o que está sendo feito para evitar que os brasileiros que participam dos Jogos Olímpicos tragam ao país novas cepas do coronavírus? Ou que contribuam para espalhar variantes que já existem no Brasil mas que ainda não estão amplamente disseminadas?

Procurado pela Gazeta do Povo, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) informou que cerca de 85% dos atletas da delegação nacional estão vacinados contra o coronavírus – o que por si só não evita novas contaminações, mas apenas diminui o risco de que a pessoa adoeça ou morra.

O COB não explicou as razões pelas quais os outros 15% dos atletas não foram imunizados e também não informou os números totais de membros das delegações que estão devidamente vacinados.

Segundo o COB, uma comissão médica formada por quatro profissionais, entre eles duas infectologistas, irão participar pela primeira vez de uma missão olímpica da entidade para reduzir os riscos de contaminação pela Covid-19. “O grupo se reúne semanalmente para discutir diversos assuntos, que vão desde a testagem da delegação até a divisão de quartos dos atletas na Vila Olímpica”, diz a entidade em nota. Segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, essa comissão de especialistas estabeleceu um rígido protocolo de segurança para todos os integrantes da delegação nacional.

Além disso, o COB informa que haverá testagens diárias de atletas no Japão – e jornalistas brasileiros que já estão fazendo a cobertura dos dias anteriores à abertura dos Jogos relataram que também são obrigados, pela organização da Olimpíada, a fazer exames diário.

Por esse causa dos testes diários, o COB diz que não haverá nenhum tipo de quarentena da delegação brasileira antes do retorno ao Brasil. “Se alguém testar positivo, fará a quarentena no Japão”, informa a entidade.

O COB diz ainda que, no total, serão disponibilizados 14 mil testes de antígeno nas bases do Time Brasil no Japão, graças à parceria com a Fiocruz, para testagem rápida da delegação. Diversos itens de prevenção também forma incluídos no material enviado ao Japão, como 85 mil máscaras descartáveis, 12.500 sapatilhas TNT, 400 borrifadores de álcool e 250 aventais, entre outros produtos.

A Gazeta do Povo também procurou o Ministério da Saúde para saber se se há algum plano de prevenção por parte do governo federal no retorno da delegação brasileira ao país, após a Olimpíada. Mas, até o fechamento desta reportagem, o ministério ainda não havia dado um retorno.

Olimpíada já registra primeiros casos de coronavírus

Mesmo antes do início da Olimpíada, Tóquio já registra os primeiros casos da Covid-19 entre membros das delegações estrangeiras que estão hospedados na Vila Olímpica.

No domingo (18), dois atletas de futebol sul-africanos testaram positivo. No dia seguinte, um atleta da República Tcheca foi diagnosticado com a doença, além de uma ginasta dos Estados Unidos.

No total, até a quarta-feira (20), já haviam sido identificados aproximadamente 80 casos do coronavírus entre os atletas, membros das delegações e outros grupos envolvidos.

Exemplo da Copa América acende alerta

A Copa América, realizada no Brasil entre 11 de junho e 10 de julho, foi um exemplo do risco de que grandes competições esportivas possam promover a entrada de novas variantes do coronavírus no país.

O Instituto Adolfo Lutz, laboratório vinculado ao governo de São Paulo e que integra a rede nacional de sequenciamento genômico do Ministério da Saúde, confirmou que, dentre os casos testados envolvendo a Copa América, dois foram da variante B.1.621. Esses casos foram identificados em integrantes das seleções da Colômbia e do Equador, que disputaram uma partida em Cuiabá (MT), no dia 13 de junho.

Essa cepa da Covid-19 surgiu na Colômbia e já havia sido detectada no Equador, nos Estados Unidos, no Caribe e em alguns países da Europa. Mas até então ainda não havia sido encontrada no Brasil. E segundo o Instituto Adolfo Lutz, essa nova cepa é uma das que merecem atenção devido ao maior potencial de transmissão. “Os vírus sequenciados são da linhagem B.1.621 e possuem, entre outras, mutações nas posições 484 e 501 do gene que codifica a proteína Spike, que podem estar associadas a um maior potencial de transmissão e, por este motivo, é considerada, pela Organização Mundial de Saúde, uma Variante de Interesse”, informou o laboratório quando da divulgação da análise.

Segundo dados do Ministério da Saúde, foram confirmados 179 casos da Covid-19 de pessoas envolvidas com a Copa América (de várias cepas diferentes). Desse total, 36 casos ocorrerem entre jogadores e membros das delegações estrangeiras, 137 entre prestadores de serviços terceirizados e seis da equipe da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

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