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Caso "Dark Horse"

PGR atende à PF para investigar propostas de Flávio e Frias no Congresso de interesse do Master

Flávio e Frias
Autoridade policial apura se parlamentares apresentaram propostas de interesse do Master em troca de dinheiro para "Dark Horse". (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado e Kayo Magalhães/Câmara)

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, atendeu ao pedido da Polícia Federal para investigar se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Mário Frias (PL-SP) teriam apresentados propostas no Congresso de interesse do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.

O pedido consta no parecer enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em julho que autorizou a abertura de uma investigação contra o senador para apurar participação em operações fraudulentas para financiar a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A requisição teve o sigilo levantado nesta sexta-feira (11) junto do restante dos processos do Banco Master a pedido do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, na véspera, a Mendonça.

“Relação de proposições legislativas apresentadas ou endossadas pelo senador Flávio Nantes Bolsonaro e pelo deputado Mário Luis Frias no âmbito do Congresso Nacional, que possam ser de interesse do Banco Master ou de empresas a ele vinculadas, bem como aos seus controladores, em especial Daniel Bueno Vorcaro”, escreveu Gonet em relação ao pedido de investigação feito pela Polícia Federal.

O pedido inclui também a investigação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), do publicitário Thiago Miranda (que foi parceiro de negócios de Vorcaro), e do empresário e pastor Fabiano Zettel (cunhado do ex-banqueiro e apontado como operador financeiro das fraudes), entre outros.

A Polícia Federal apura se vantagens financeiras foram concedidas a Flávio e Frias – como dinheiro para a produção de “Dark Horse” – em troca de articulações políticas em benefício do Master e de Vorcaro no Legislativo.

A autoridade atribui a Vorcaro a "responsabilidade pelo financiamento ilícito" do filme e a "existência de indícios de atuação" de Flávio com o ex-banqueiro, que "manteve pessoalmente tratativas com Daniel Vorcaro sobre os repasses dos valores, que incluíam cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento de andamento de gravações" às vésperas da primeira prisão do ex-banqueiro em novembro do ano passado.

Apuração da Gazeta do Povo com fontes a par da investigação aponta que Eduardo Bolsonaro orientou como recursos para o filme deveriam ser enviados aos Estados Unidos, a partir de uma conversa com Miranda interceptada pela Polícia Federal sobre as tratativas da produção.

Em meados de maio, áudios vazados à imprensa revelaram que Flávio Bolsonaro cobrou R$ 134 milhões de Vorcaro para a produção, sendo que R$ 61 milhões foram efetivamente pagos.

Flávio Bolsonaro reconheceu a cobrança e disse que se tratou de um financiamento privado para uma produção privada, negando irregularidades. Dias depois, outra apuração apontou que ele visitou Vorcaro após o empresário deixar a prisão pela primeira vez, em novembro do ano passado.

Também são citados como alvos da investigação o advogado Paulo Calixto e do corretor de imóveis Altieris Santana, que seriam os gestores do fundo Havengate, utilizado para receber R$ 61 milhões para a produção do filme nos Estados Unidos. Documentos apontam que eles teriam aberto uma offshore no estado de Delaware, no país norte-americano, para movimentar o dinheiro.

Segundo a documentação, em março de 2025, Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro na qual orienta sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, "com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores" ao fundo gerido por Calixto e Santana.

A possibilidade de Flávio e Frias terem recebido vantagens financeiras para atender a interesses do Master e de Vorcaro no Legislativo é semelhante à descoberta neste ano em relação aos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), que teriam articulado uma proposta para aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

A proposta ficou conhecida como "emenda Master" e poderia fazer aumentar significativamente as captações do banco, que se utilizava da cobertura como estratégia comercial para a ampliação de suas operações.

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