Ministro é suspeito de desviar emendas parlamentares para pavimentar acesso à própria fazenda no MA.| Foto: André Borges/EFE
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O ministro Juscelino Filho, das Comunicações (MCom), foi denunciado nesta terça (8) pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de desvio de emendas parlamentares quando ocupava o cargo de deputado federal. Segundo a investigação, a corrupção teria ocorrido recursos enviados para pavimentação de ruas da cidade de Vitorino Freire (MA), sua base eleitoral então governada pela irmã, Luanna Rezende.

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Segundo revelou apuração da Folha de S. Paulo em 2023, as emendas teriam beneficiado a própria fazenda dele para a construção de acessos, além da pavimentação em distritos próximos de qualidade precária.

A defesa do ministro negou as acusações e afirmou que ele é inocente e confia na Justiça para rejeitar a denúncia. “Aliás, essa é a melhor oportunidade para se colocar um fim definitivo a essa maratona de factoides que vem se arrastando por quase 3 anos, com a palavra final da instância máxima do Poder Judiciário nacional”, completou em nota (veja na íntegra mais abaixo).

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A denúncia corre em sigilo e será oferecida ao Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se o torna réu. Em junho do ano passado, ele foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de desvio de emendas que somaram R$ 10 milhões.

Os desvios, segundo as investigações, teriam sido feitos através da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Juscelino é suspeito de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As suspeitas sobre Juscelino chegaram a ameaçar sua permanência no cargo ainda em 2023, mas ele ficou na Esplanada em meio às articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o União Brasil. Na época, o petista minimizou e afirmou que só o demitiria se fosse indiciado.

“O que eu disse para ele: só você sabe a verdade. Se o procurador indiciar você sabe que tem que mudar de posição. Enquanto não houver indiciamento, ele fica como ministro. Se houver indiciamento, ele será afastado”, afirmou o presidente na época.

Ainda de acordo com a defesa, os atos investigados pela Polícia Federal não possuem qualquer relação com o trabalho do ministro na pasta, e que os recursos das emendas foram indicados “para custear a realização de obras em benefício da população”.

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“Os processos de licitação, execução e fiscalização dessas obras são de competência exclusiva do Poder Executivo, não sendo responsabilidade do parlamentar que indicou os recursos”, completou. Há a expectativa de que ele se reúna com Lula ainda nesta semana após o retorno do presidente da viagem que fará a Honduras, nesta terça (8).

Após a apresentação da denúncia da PGR, a bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados emitiu uma nota reafirmando "sua confiança no ministro", que é filiado ao partido.

"Confiamos que o ministro poderá apresentar todos os esclarecimentos no Supremo Tribunal Federal (STF), assegurando seu direito à ampla defesa e ao contraditório, como determina a Constituição", diz a nota assinada pelo aliado de Juscelino, Pedro Lucas Fernandes (MA), líder da bancada do União na Câmara. "A bancada permanece acompanhando os desdobramentos do caso com serenidade e confiança nas instituições, certa de que todos os pontos serão devidamente esclarecidos", conclui.

O que diz a defesa de Juscelino Filho sobre a denúncia da PGR

"A defesa de Juscelino Filho esclarece que até o momento não foi notificada sobre a denúncia do Ministério Público. Tal andamento sequer consta na consulta processual. Aliás, em se confirmando, temos um indício perigoso de estarmos voltando à época punitivista do Brasil, quando o MP conversava primeiro com a imprensa antes de falar nos autos.

De toda forma, o ministro reafirma sua total inocência e destaca que o oferecimento de uma denúncia não implica em culpa, nem pode servir de instrumento para o MP pautar o país. O julgamento cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), em quem Juscelino Filho confia que rejeitará a peça acusatória diante da sua manifesta ausência de provas.

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Aliás, essa é a melhor oportunidade para se colocar um fim definitivo a essa maratona de factoides que vem se arrastando por quase 3 anos, com a palavra final da instância máxima do Poder Judiciário nacional.

Além disso, o ministro ressalta que o caso não possui qualquer relação com sua atuação à frente do Ministério das Comunicações, cuja gestão - assim como em todos os cargos públicos que atuou - é pautada pela transparência, eficiência e compromisso com o interesse público.

Como deputado federal, no mandato anterior, Juscelino Filho limitou-se a indicar emendas parlamentares para custear a realização de obras em benefício da população. Os processos de licitação, execução e fiscalização dessas obras são de competência exclusiva do Poder Executivo, não sendo responsabilidade do parlamentar que indicou os recursos.

O ministro reitera sua confiança na Justiça e na imparcialidade do Supremo Tribunal Federal, acreditando que a verdade prevalecerá e que sua inocência será devidamente comprovada."

A nota é assinada pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti.

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]