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Embargos de declaração

PGR recorre contra fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes

PGR recorre contra fim da aposentadoria compulsória como punição para juízes
Subprocuradora-geral afirma que decisão do STF sobre aposentadoria compulsória cria um "juízo de exceção". (Foto: Gustavo Moreno/SCO/STF)

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta quinta-feira (25) um recurso contra a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou o fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados. 

Nos embargos de declaração, a subprocuradora-geral da República, Elizeta Maria de Paiva Ramos, voltou a contestar a competência do STF para processar e julgar ações de perda de cargo de juízes de primeiro grau. Em março, o ministro Flávio Dino determinou o fim da aplicação do benefício como punição.

Ele argumentou que a aposentadoria compulsória deixou de ter fundamento constitucional após a reforma da Previdência, por meio da Emenda Constitucional 103/2019. A Primeira Turma referendou a decisão do relator em maio.

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O STF fundamentou sua competência no "princípio do paralelismo das formas", argumentando que, se apenas a Corte pode desconstituir decisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ela também deveria julgar a perda do cargo decorrente dessas decisões.

A PGR rebate afirmando que o rol de competências do STF na Constituição é taxativo e não prevê esse foro. A manifestação alerta que a criação de uma competência não prevista no texto constitucional estabelece, na prática, um "juízo de exceção", afrontando o princípio do juiz natural.

A subprocuradora aponta que não cabe à Advocacia-Geral da União (AGU) a propositura de ações para decretação de perda de cargo ou cassação de aposentadoria.

Segundo a PGR, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e os regimentos internos do CNJ e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) estabelecem que essa função é do Ministério Público.

Ramos argumenta que o MP possui a independência funcional necessária para conduzir essas ações, sem subordinação ao Poder Executivo, sendo o "legitimado natural" para a defesa da ordem jurídica.

Duplo grau de jurisdição

O recurso destaca que a tramitação de uma ação de perda de cargo diretamente na cúpula do Judiciário esvazia a garantia da vitaliciedade, pois configura ausência de duplo grau de jurisdição. 

Ou seja, ao iniciar o processo no STF, suprime-se o direito do magistrado de recorrer a uma instância superior, o que é garantido pela Convenção Americana de Direitos Humanos.

“A destituição do magistrado sem duplo grau, diversamente, irradia sobre toda a magistratura um sinal de vulnerabilidade: qualquer juiz sabe que, ao decidir contra interesses suficientemente poderosos para alcançar o STF, poderá ter seu cargo extinto em julgamento único, sem revisão”, disse a subprocuradora. 

A PGR refuta a comparação entre a situação de juízes e de parlamentares, que podem perder o cargo por decisão do STF, afirmando que o magistrado precisa da proteção da vitaliciedade para julgar os próprios “poderosos” sem temor de represália.

A PGR questiona a criação de um "tipo disciplinar aberto" baseado em "infrações graves" não tipificadas especificamente para a perda de cargo na Loman. 

Além disso, aponta a ocorrência de reformatio in pejus (reforma para pior), uma vez que o magistrado, ao buscar a revisão de sua punição, pode acabar recebendo uma sanção muito mais grave, como a perda total do cargo em vez da aposentadoria proporcional.

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